Jacob Gentry, 2015

Sabe aqueles filmes thrash anos 80 que misturam tecnologia, terror e sci-fi? Exemplos são Tron (o original) e Mulher Nota 1000. Synchronicity emula com perfeição esse tipo de gênero. Com um roteiro capenga, atuações sofríveis, clichês de filme noir mal usados e trilha sonora de flashback, o resultado é uma viagem pelo mundo dos filme complicados apenas pelo gosto da complicação.

Wim Wenders, 2016

Este é o segundo trabalho de exploração do diretor/roteirista Win Wenders (Pina) usando a tecnologia 3D. Dessa vez, apenas os primeiros minutos do longa parecem aproveitar o uso da tecnologia. Wenders nos submete a uma experiência única ao navegarmos por uma janela mágica – a tela do cinema – em torno de um mundo com dimensões, natureza e arte. E a arte é colocada em escrutínio em um de seus trabalhos igualmente poéticos, mas pretenciosamente herméticos. Há quase que uma auto-análise do processo que torna Wenders um dos diretores mais influentes da escola alemã atual, mas o resultado é fechado demais para o grande público. Se trata de um trabalho que irá provavelmente te fazer devanear sobre a vida, mas não por causa do filme, e sim como uma forma de fugir dele. As banalidades discutidas em diálogos rebuscados que no fundo não querem dizer nada transformam Os Belos Dias de Aranjuez em uma ode à irracionalidade e uma homenagem a todos que tentam atravessar a parede da lógica em prol da arte. Infelizmente, para todos que tentaram fazer isso, ou esbarraram na impossibilidade de querer dizer algo sem de fato dizê-lo – seja por palavras, sons ou imagens – ou se rendem em dizer algo, mesmo que não queiram. E aqui, o que Wenders parece estar sugerindo ao gritar para seu público é: eu não tenho a menor ideia do que fazer com um drama intimista em 3D.

Richard Ayoade, 2013

O Duplo é uma viagem moderna, animesca, exagerada, utópica e livre de interpretações do livro homônico de Fyodor Dostoevsky. Apresentando uma estética rica e impecável, o diretor Richard Ayoade adaptou o conteúdo do romance do autor russo com a ajuda de Avi Korine e entregaram um resultado além das expectativas de alguém poderia pensar de um filme protagonizado por Jesse Eisenberg como um herói tragicômico. Se trata de uma premissa simples: e se seu pior inimigo fosse você mesmo, mas em uma versão que todos reconheçam como um ser humano completo – ainda que imoral – e que você seja um mero espectador do sucesso que você poderia ser se pudesse, paradoxalmente, colocar seu próprio eu de lado, deixando de atrapalhar sua existência.

Alex Winter, 2015

Este é um documentário que irá te dar uma visão diametralmente oposta do que você já ouviu falar sobre a deep web na mídia. Para começo de conversa, o filme não fala sobre assassinos e pedófilos, e quando fala sobre crimes cibernéticos, estranhamente eles são cometidos sem vítimas. A venda de drogas em um site chamado Silk Road se apresenta um mercado onde vendedores e compradores conseguem, sem o uso da violência e evitando riscos físicos, trocar drogas de todos os tipos.

Ilinca Calugareanu, 2015

Não é nenhum segredo que para existir o comunismo em um mundo capitalista todas as barreiras precisam ser fechadas. Isso evita que a população faminta por recursos e ideias seja seduzida pelo caminho da liberdade e mantém o ditador da vez em posição mais confortável para espalhar suas mentiras. No caso da Romênia, no entanto, havia uma falha que foi se alastrando pelas duas décadas de regime totalitarista. Uma falha que apenas uma figura equivalente ao americano Chuck Norris em sua versão romena poderia explorar: o Cinema norte-americano.

Luc Besson, 2005

O diretor e roteirista Luc Besson nos entrega um filme noir dos anos 2000 em p&b, que se passa em Paris em um ritmo bem-humorado, um tanto sarcástico e que mais uma vez estuda personagens à margem da sociedade e esquisitões em geral. Usa o weirdo Jameil Debbouze (Amélie Poulain) e a gata Rie Rasmussen (Femme Fatale). Também usa trilha sonora de jazz e um roteiro todo redondinho, higienizado com respeito ao sexo e apropriado para uma esquecível degustação.

Jonathan Nolan, Fred Toye, 2016

Eu fui programado para escrever esse texto? Posso responder, na melhor das hipóteses, que eu estar escrevendo este texto é consequência da soma das minhas ações. No entanto, volta outra pergunta no lugar: eu fui programado para executar tais ações?

João Pedro Rodrigues, 2016

Este é um filme hermético por natureza (trocadilho intencional). O diretor/roteirista João Pedro Rodrigues nos apresenta uma aventura que começa como uma “história normal”, de um estudiosos de aves que se aventura solitário em meio a uma natureza que o observa de volta. Essa natureza, aparentemente, não está exatamente solitária, mas faz parte de algo maior. Religiosamente maior. É um filme que mexe com (homo)sexualidade ao mesmo tempo que provoca e flerta com o sagrado, além de no caminho também fazer pouco da raça humana. É um filme que mexe até certo ponto com crueldade, mas para um fim maior. E é esse fim, no meio de tantos símbolos e mistérios, que é o grande segredo jamais revelado de maneira clara. Provavelmente não existe apenas uma resposta certa para esse mistério, assim como não existe apenas uma interpretação para o que vemos. Nunca enfadonho, graças à narrativa empenhada de Pedro Rodrigues, que pelo menos entretém, não necessariamente fazendo pensar, O Ornitólogo parece mais um exercício de narrativa, com muito pouco estilo, nenhuma trilha sonora e uma fotografia empenhada em não se perceber em meio a tanta beleza e poesia. Ainda assim, é um filme triste, pobre, que não parece conseguir unir seus pontos, mesmo que simbolicamente. Ele tem um terceiro ato cheio de fades que cansam cada vez mais. Fades em direção a um mar de dúvidas. Não espere conseguir desvendar algo de tudo isso, a não ser que tenha estudado religião a ponto de não ser mais um religioso.

Darren Aronofsky, 2006

Darren Aronofsky em Noé nos apresenta uma visão gnóstica da Bíblia e das crenças antigas, mas esse é apenas um pedaço da ambição desproporcional vista em Fonte da Vida, um filme que tenta sem sucesso (felizmente) unir ciência e misticismo em uma busca por conhecimento que ultrapassa limites da realidade, seja através da ficção de um romance espanhol ou pela abstração de nossa própria vida na Terra através de um sábio solitário tentando descobrir a combinação que nos trará vida eterna.

Liza Johnson, 2013

Hoje Kristen Wiig é a queridinha das comédias femininas. Em 2013 ela ainda estava galgando sua trajetória da TV para o Cinema, onde atingiria seu clímax na combinação explosiva de roteiro, direção e atuação em Missão Madrinha de Casamento. Nesse drama intimista independente dirigido por Liza Johnson e roteirizado com toques de exagero por Mark Poirier e Alice Munro, ela e Guy Pearce vivem personagens caricatos e só são salvos graças às atuações convincentes de ambos (Kristen mais).

Joe Berlinger, 2016

Tony pode não ser nada diferente do clichê daqueles vendedores de aulas de auto-ajuda, daqueles que apresentam uma nova forma de terapia que une um pouco da psicologia que funciona (e não a que transforma seu analista em seu parasita) e da religião oriental e seus mantras apaziguadores do espírito humano. No processo, veremos momentos de pura catarse emocional de humanos auto-centrado. E milhares de dólares jorrando para as contas de quem entrega o que as pessoas mais desejam nesse começo de século: estar conectada com outras pessoas e si mesmas.

Luis Javier M. Henaine, 2014

Este é o clichê versão argentina daquela comédia onde o namorado quer se separar mas não consegue dizer para a namorada. A partir daí você já deve conseguir concluir que verá aquela velha cena dele imaginando que está se separando e as possíveis reações da sua ex-amada.

Eliane Caffé, 2016

Ei um filme que mistura ficção e realidade. Com um tom documental a diretora Eliane Caffé conta pequenas histórias em torno de um grupo de invasores do centro urbano da megalópole São Paulo, com suas faixas vermelhas penduradas nas fachadas de prédios que antes eram vivos, como este Hotel Cambridge. Agora é apenas uma de muitas peças de mobilização social que se unem em um microcosmos de indignação misturado com espírito de sobrevivência e cooperação. Porém, não é fácil viver defendendo uma causa para pessoas que muitas vezes não sabem o valor do que fazem.

Paula Gomes, 2017

Este é um documentário com começo e meio, e o fim é a grande questão que ele levanta. A documentarista Paula Gomes acompanha o pequeno Jonas e seu circo improvisado no quintal da casa de sua mãe enquanto esta tenta manter o menino na escola. A tradição circense da família já não importa mais. De alguma forma o filme consegue não nos dizer mais nada que não seja conhecimento comum: educação formal é importante para o futuro das crianças. E brilhantemente ele levanta a questão oculta: é mesmo? A própria Paula Gomes entra no meio, se tornando voz ativa na história e chegando a ser repreendida pela professora de Jonas (afinal, qual o exemplo que está sendo tratado aqui?). É um filme fácil que vai se complicando conforme avançamos e batemos na “vida real”.

O mais decepcionante desta série documental da Netflix é que ela termina cedo demais. Estava pronto para acompanhar mais umas duas horas – ou até o seriado inteiro – a respeito de Christoph Niemann, o ilustrador de capas da revista The New Yorker. A criatividade e sagacidade aparentemente inocentes de Niemann encantam, mas é a capacidade do diretor Morgan Neville em desenhar o episódio que é o mais fascinante. Encontrando uma forma de unir a cidade de Nova Iorque aos delírios criativos de Niemann, Neville embarca em uma viagem deliciosa a respeito do dia-a-dia de um criador e sua mente, algo que o documentário indicado ao Oscar esse ano, “Life, Animated”, deveria aprender algumas lições.

Jim Abrahams, 1993

Top Gang 2! é mais uma comédia-paródia de trabalhos da época. E é um trabalho hilário. Primeiro porque ele reúne o maior número de gags por segundo. E segundo porque ele abraça o besteirol sem qualquer ressalva. Quando as flechas de nosso herói acabam, ele simplesmente olha para o chão e acha a galinha-flecha que ele precisava. Esse é o nível de insanidade do trabalho de Jim Abrahams.

James Mangold, 2017

O diretor e roteirista James Mangold apresenta um fechamento de personagem que soa estranho aos fãs da Marvel mais coloridos e menos afoitos com a dura realidade da vida: pessoas morrem nesses filmes.

Pierre de Lespinois, 2005

Este documentário dividido em três episódios, cada um com mais ou menos uma hora, é uma desculpa indesculpável para falar sobre Star Wars aliado às evoluções atuais da tecnologia. É um caça-níqueis declarado em seu formato, já que Star Wars nunca foi uma ficção científica, e se formos analisar os exemplos que vemos no filme sobre robôs (o primeiro episódio) em nada é possível fazer uma referência, exceto a montagem do próprio filme.

David Frankel, 2016

Will Smith se especializou em histórias que o trazem como um heroi carismático que esconde isso por trás de uma máscara de dor e sofrimento. Filmes ótimos com ele como À Procura da Felicidade e Eu Sou A Lenda fazem isso com louvor. Filmes medíocres como Hancock (onde ele é não um heroi, mas um super-heroi) fazem isso no automático. E até filmes ruins como Sete Vidas e Esquadrão Suicida fazem isso de uma forma ou de outra, se entregando às lágrimas fáceis (se você estiver disposto a isso). Então não seria errado pensar que em Beleza Oculta estamos revisitando novamente esta persistente faceta da persona do ator, que está conseguindo realizar este trabalho cada vez mais próximo da perfeição.

Andy Mikita, Helen Shaver, William Waring, Martin Wood, Nick Hurran, 2016

Viagem no tempo, física quântica, mulheres bonitas e gostosas: uma fórmula que geralmente merece dar uma olhada, para diversos fãs, de diferentes conteúdos. No caso da primeira temporada de Travelers, da Netflix, a química entre esses elementos oscila de maneira irregular, quase sempre frustrando ideias mais ambiciosas e quase sempre se rendendo ao juvenil politicamente correto. Quer dizer, no futuro os animais são nossos amigos e as pessoas passam mal em ver bacon? Fala sério!

Cine Tênis Verde - 2017-03-27 01:36:44