007 A Serviço Secreto de Sua Majestade

Mais intenso, talvez pela incerteza na troca de Sean Connery por George Lazenby, e já entregando uma trama que mexe na vida pessoal do agente secreto como nunca antes, A Serviço Secreto de Sua Majestade é também um excelente filme de ação, tanto para sua época quanto para agora.

O diretor Peter Hunt (007 Contra Goldfinger) resolveu com cortes rápidos, muitas vezes com a câmera em movimento frenético, o problema dos fundos falsos e toda a trucagem nas cenas envolvendo carros ou mesmo descendo os Alpes de esqui. O efeito foi um filme dinâmico e que envelheceu melhor do que seus antecessores como filme de ação. A trilha sonora, sempre tão importante, aqui recebe tratamento VIP. Além do excelente instrumental-tema feito para o filme e que se encaixa perfeitamente no novo estilo James Bond, os temas anteriores são reaproveitados em cenas significativas para o personagem em versões que não soam recicladas. Além disso, o tema clássico de John Barry é explorado no momento de identificação entre o novo ator e o clássico Connery.

A inesquecível Bond Girl deste filme desde o início nasce para ser sua parceira, principalmente quando ressurge, assim como ele em seu filme de estreia, dentro de um cassino. Além disso a beleza de Diana Rigg como Tracy consegue o feito de nos fazer relembrar das garotas mais “clássicas”, como Akiko Wakabayashi (Aki), Claudine Auger (Domino) e até mesmo a inconfundível Pussy Galore (Honor Blackman). Todos esses elementos trazidos a partir de cenas sutilmente reproduzidas não são ao acaso, pois este é, como disse, um momento especial na vida pessoal do agente secreto.

O roteiro de Richard Maibaum, livre dessa vez do formato clássico imposto nos filmes anteriores, ganha mais organicidade e faz com que os eventos pareçam seguir um fluxo ininterrupto e coeso. É o filme de maior duração até agora, mas parece ser o que oferece uma maior imersão no arriscado universo de um agente secreto.

Sean Connery será sempre eternizado por iniciar e estabelecer a adaptação do personagem literário para as telas. A troca de atores, porém, faz um bem enorme para o agente 007 no cinema, pois o torna maleável e eternizável para as futuras gerações, como não podemos negar nos dias de hoje com os filmes de Daniel Craig.

★★★★★ Wanderley Caloni, 2013-02-01 imdb