300 A Ascensão do Império

Mar 25, 2014

Imagens

Esse é um filme nitidamente encomendado para pegar carona no sucesso do original de Zack Snyder (que dirigiu o primeiro “300” e assina o roteiro deste novo) talvez principalmente baseado em seu público potencial, que aparentemente sente prazer em ver pessoas musculosas arrancando sangue de pessoas/bonecos genéricos em câmera lenta. Tudo de forma estilizada, é claro, mas, dessa vez, sem o preciosismo visual que tornava seu antecessor tão fascinante visualmente.

A história se passa em paralelo à batalha de 300 quando descobrimos que o rei Xerxes (Rodrigo Santoro) subiu ao trono influenciado por sua adotada e voluptuosa irmã Artemisia (Eva Green, Cassino Royale) que, durante a batalha do Império Persa contra os 300 de Esparta, comanda uma grandiosa frota marítima contra a cidade-estado de Atenas. Enquanto isso, atenienses liderados por Themistocles (Sullivan Stapleton) tentam fazer sua democracia funcionar em tempos de guerra chamando as principais cidades gregas para a luta, tentativa essa frustrada justamente por condizer com um desejo antigo de ver um dia uma Grécia unificada, um sonho que as outras cidades orgulhosamente discordam (sobretudo Esparta).

No entanto, por mais interessante que fosse a história principal, ela nunca se desenvolve, preferindo patinar em torno do Mar Egeu e em conversas repetitivas que possuem apenas a virtude de deixar cada vez mais claro que a habilidade estratégica de Themistocles havia sido subestimada. Porém, em nenhum momento ele rivaliza com as formações militares orquestradas por Leônidas no filme original, o que se transforma em frustração. A democracia como é vista em “A Ascenção do Império” não vinga como uma boa ideia, mas como um empecilho que obviamente irá limitar a manutenção e o crescimento de povos que a adotarem. Incrível como a história sempre nos ensina algo.

Tecnicamente o filme também peca em sua edição que acaba revelando em diversos momentos que o Mar Egeu não passa de um imenso (ou não tão imenso) fundo verde. E a fotografia mal aplicada em um cenário enevoado — e que se torna mais escuro ainda em 3D — quase não nos deixa ver a ação desempenhada fora de foco, o que revela a inutilidade de um cenário tão grandioso, servindo apenas como um papel de parede móvel. A novidade do filme, o sangue em câmera lenta jorrando dos corpos abatidos, assim como a insistência em colocar partículas em suspensão em movimentos claramente artificiais colaboram para tornar toda a experiência inverossímil demais e evitar que entremos na já parca história.

No entanto, há uma longa sequência que envolve um personagem inusitado no mar e que pode render alguns momentos mais empolgantes, apesar de assim que ele termina nos lembramos que a empolgação veio apenas da ação sendo vista naquele momento, e não de uma construção que se baseia nos alicerces do roteiro. Alicerces esses, pelo visto, construídos também em barquinhos flutuando pelo mar grego.

Wanderley Caloni, 2014-03-25. 300 A Ascensão do Império. 300: Rise of an Empire (USA, 2014). Dirigido por Noam Murro. Escrito por Zack Snyder, Kurt Johnstad, Frank Miller. Com Sullivan Stapleton, Eva Green, Lena Headey, Hans Matheson, Callan Mulvey, David Wenham, Rodrigo Santoro, Jack O'Connell, Andrew Tiernan. IMDB.