50 Tons de Preto

Ao ver o trailer desse filme fiquei extremamente empolgado com o tom da comédia-paródia aqui, que brinca com um filme ridículo (que nem é tão ruim assim) que explora as perversões sexuais de um jovem branco rico. Pois bem: aqui temos um negro que ficou rico praticando o estereótipo negro: tráfico de drogas.

No começo vemos Christian Black (Marlon Wayans) correndo pelo parque, roubando a bolsa de uma senha. Depois ele vai às compras, e foge vestindo um terno aparentemente bem caro. Depois dá uma de manobrista e foge com um carrão.

Hannah (Kali Hawk), por sua vez, é a universitária que está se formando e é estúpida. Curiosa a comparação do tom de humor do filme, que é obviamente liberal (americano), quando Christian, como bom republicano (um segredo que ele esconde) diz ao grupo de alunos na formatura que… bem, você sabe… quem se importa?

Imitando uma história original ruim, o que menos importa aqui é a história. O carisma de Kali Hawk (Missão Madrinha de Casamento) é notável, e mesmo sua imitação repetida da personagem de Dakota Johnson quase sempre funciona. E do outro lado, a energia e as gags criadas por Marlon Wayans são impressionantes. Ele move o filme para direções que nem o roteiro pedestre conseguiria.

Se auto-rotulando com propriedade como paródia com referências leves a outros filmes (12 Anos de Escravidão, Whiplash) e uma crítica bem-humorada de 50 Tons de Cinza e a todo conteúdo que o cerca na blogosfera teen, 50 Tons de Preto é o tipo de filme que sabe aproveitar sua inserção na meta-linguagem do Cinema, mesmo que essa inserção seja bem meia-boca e cheia de furos.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2016-02-19 imdb