A Bailarina

Feb 1, 2017

Imagens

As animações de teor francês, como o indicado ao Oscar Minha Vida de Abobrinha e este (canadense) A Bailarina estão francamente em declínio desde a refilmagem de O Pequeno Príncipe (que foi o ápice). Manipulativo do começo ao fim, tendo personagens que verbalizam suas emoções (e as dos outros, mesmo se os conheceram há duas horas) e câmeras lentas com saltos ornamentais e muita música pop (apesar da história ser sobre balé e Paris do século 19), a animação disfarça seu pouco orçamento criando personagens vesgos e abusando de caretas, e cria até personagens gordinhos pela graça de uma piada ou outra. Seu roteiro é tão pedestre que em um dos momentos supostamente mais emocionantes ouvimos um “Eu gosto de você. Ganha dela.”. Temos ainda a criação de um trio amoroso entre crianças apenas “porque sim”, e um ódio radioativo dos vilões, que são ricos, invejosos (ah, a ironia) e mimados até não poder mais. No final, apesar da mensagem mais interessante do longa ser sobre a possibilidade das melhores vitórias terem sido ladrilhadas por uma vida de limitações e desafios, ela acaba sendo a velha farofa do “acredite nos seus sonhos”.

Wanderley Caloni, 2017-02-01. A Bailarina. Ballerina (France, 2016). Dirigido por Eric Summer, Éric Warin. Escrito por Carol Noble, Eric Summer, Laurent Zeitoun. Com Dane DeHaan (Victor), Elle Fanning (Félicie Milliner), Maddie Ziegler (Camille Le Haut), Carly Rae Jepsen (Odette), Camille Cottin (Félicie Milliner), Julie Khaner (Régine Le Haut), Elana Dunkelman (Dora / Stuck Girl), Laurent Maurel (Mérante), Malik Bentalha (Victor). IMDB.