A Casa Silenciosa

Quando eu digo que os falsos documentários já atingiram seu nível de saturação e o ultrapassaram, como o recente Atividade Paranormal conseguiu provar pela falta de justificativas para o uso de câmera em tantas situações diferentes, eis que surge o remake franco-americano de 2011 (de uma produção uruguaia de 2010) filmado inteiramente em uma sequência sem cortes de arrebentar os nervos.

Não é um documentário, mas assume o caráter realista por nunca haver cortes. Mais do que isso: uma sensação onírica por estarmos presenciando a história da jovem Sarah (Elizabeth Olsen) unicamente do seu ponto de vista. Acompanhamos os acontecimentos em uma casa no campo que será colocada à venda logo após o pai, irmão e tio da menina finalizarem uma pequena reforma. No entanto, a falta de energia os obriga a usar lampiões e velas para iluminar os inúmeros aposentos do casarão, mesmo de dia, pois a casa nunca era visitada e se encontrava totalmente lacrada.

Eficiente em, exatamente como em A Bruxa de Blair, sugerir o terror em vez de mostrar efeitos visuais que estamos cansados de ver em produções que tentam assustar com o uso de muletas tecnológicas, o filme consegue com eficiência alternar seu gênero para um thriller psicológico lá pelo meio da história, e mesmo assim sem nunca nos fazer perder a atenção. Pelo contrário: o sentimento de antes estar vivenciando um pesadelo dá lugar à curiosidade quase mórbida de entender o que está acontecendo naquela casa.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2014-01-13 imdb