A Conexão Francesa

Jul 8, 2016

Imagens

Operação França é um filme de 1971 estrelado por Gene Hackman e que conta a história de um policial de Nova Iorque que se vê em uma trama da narcóticos envolvendo uma conexão do tráfico com a França. Originalmente chamado de The French Connection, é um dos filmes que todos se lembram quando se fala de filme de ação/policial dos anos 70 envolvendo a guerra às drogas.

O nome original do filme de William Friedkin agora foi emprestado para La French/The Connection, filme de Cédric Jimenez que, “levemente inspirado” em eventos reais, conta a história de um chefão da máfia em Marselha e de um juiz que passa a persegui-lo, disposto a acabar de uma vez por todas com o tráfico que rola solto entre essa região da França e Nova Iorque.

Mostrando a máfia de uma maneira completamente diferente dos filmes do Scorsese ou da saga O Poderoso Chefão, o foco aqui começa com os olhos de Pierre Michel (Jean Dujardin), o juiz de menores que foi “promovido” para o crime organizado e que aceita o novo cargo para acabar com o que acredita ser a causa do vício entre os jovens franceses e a desgraça para ele e suas famílias, como ele mesmo presenciou (e cuja história de uma menina é usada de gancho). Iniciando uma operação que mobiliza um apático (ou abatido) departamento, a maneira enérgica com que Pierre começa a atacar as conexões do tráfico começam a incomodar um pouco o chefão Gaëtan ‘Tany’ Zampa (Gilles Lellouche), que até então gozava de uma relativa tranquilidade.

O que se tranforma em um filme tenso do começo ao fim, e que parece apontar a todo momento como é inútil uma guerra às drogas, e chega ao ponto de flertar com o aspecto moral disso tudo. Afinal de contas Pierre e seus policiais fumam e bebem a todo momento, sendo que metade dos ambientes que presenciamos está enevoado ou é até usado como transição entre cenas. Enquanto algumas drogas são usadas à exaustão e com o uso protegido por lei, outras são duramente coibidas, gerando uma espiral de violência sem sentido algum. Estamos falando de heroína, principalmente, e essa droga também é “fabricada” a partir da morfina-base, sendo que há laboratórios clandestinos que fazem isso. O paralelo com a série finalizada de maior sucesso atualmente, Breaking Bad, não parece coincidência.

Ambientado nos anos 70, a fotografia, o figurino e a arte lembrariam filmes como Trapaça, mas os ambientes estão impregnados de uma nostalgia deprimente, já que não há momentos felizes em A Conexão Francesa. Não há nenhum momento que os comparsas de Zampa podem se dar ao luxo de, como em Os Bons Companheiros, gozar de seu status. A caça de Pierre é uma constante, e o mercado americano também começa a receber concorrência de outros países, fazendo com que o personagem de Gilles Lellouche comece a se sentir acuado.

Infelizmente, não há muita ligação entre os acontecimentos, em um roteiro que parece descrever mais os eventos sem tentar ligá-los de uma forma coesa e que implique em desvendar o que tudo aquilo significa. Por isso a teoria de que é uma crítica à guerra às drogas pode até ser verdade, mas é uma teoria, como qualquer outra interpretação do filme, que nunca parece conseguir mover suas ideias, apenas sua ação.

E a ação possui bons momentos, com muita violência, ou com diálogos simples e diretos, mas significativos. O duelo entre o juiz e o gênio do crime atinge seu ápice no topo de um morro, em um por de sol, e as músicas da época pontuam cada um desses momentos com a certeza desse ser um passado mais decadente do que saudoso.

Wanderley Caloni, 2016-07-08. A Conexão Francesa. La French (France, 2014). Dirigido por Cédric Jimenez. Escrito por Audrey Diwan, Cédric Jimenez. Com Jean Dujardin, Gilles Lellouche, Céline Sallette, Mélanie Doutey, Benoît Magimel, Guillaume Gouix, Bruno Todeschini, Féodor Atkine, Moussa Maaskri. IMDB. Texto completo próximo ou após a estreia no CinemAqui.