A Espera
Wanderley Caloni, 2017-01-16

A Espera é um trabalho estilizado do diretor estreante Piero Messina, que flerta com simbolismos religiosos – claramente cristãos – e que utiliza isso para construir uma mentira alimentada por Anna, uma mãe (Juliette Binoche) que acabou de perder o filho (sugestivamente nunca mostrado no filme). Com a vinda da namorada de seu filho à casa em luto, a última fagulha de esperança ou de memória de Anna parece permanecer viva às custas da garota. É um filme doce, lento, e belamente fotografado. Possui uma trilha sonora que o estiliza para os tempos modernos, mas parece sugerir na casa imponente de Anna e seus trejeitos, além de seu empregado Pietro, uma imortalidade perene na Sicília. Se esta imortalidade de costumes está ou não ameaçada – incluindo a religião – deixo aberto para o espectador, que deverá ligar os pontos de tantos simbolismos – envolvendo de água a vinho – que talvez seja uma tarefa inútil. Tão inútil como descobrir se Cristo ressuscitou ou não no terceiro dia.

Crítica completa na estreia do filme no CinemAqui.

★★★★☆ L'attesa. Italy. 2015. Direção: Piero Messina. Roteiro: Giacomo Bendotti, Ilaria Macchia, Andrea Paolo Massara, Piero Messina, Luigi Pirandello. Elenco: Juliette Binoche (Anna), Giorgio Colangeli (Pietro), Lou de Laâge (Jeanne), Domenico Diele (Giorgio), Antonio Folletto (Paolo), Corinna Locastro (Rosa), Giovanni Anzaldo (Giuseppe). Edição: Paola Freddi. Fotografia: Francesco Di Giacomo. Duração: 110. Aspecto: 2.35 : 1. Drama. Estreia no Brasil: 2 February 2017. #cabine