A Espera

A Espera é um trabalho estilizado do diretor estreante Piero Messina, que flerta com simbolismos religiosos – claramente cristãos – e que utiliza isso para construir uma mentira alimentada por Anna, uma mãe (Juliette Binoche) que acabou de perder o filho (sugestivamente nunca mostrado no filme). Com a vinda da namorada de seu filho à casa em luto, a última fagulha de esperança ou de memória de Anna parece permanecer viva às custas da garota. É um filme doce, lento, e belamente fotografado. Possui uma trilha sonora que o estiliza para os tempos modernos, mas parece sugerir na casa imponente de Anna e seus trejeitos, além de seu empregado Pietro, uma imortalidade perene na Sicília. Se esta imortalidade de costumes está ou não ameaçada – incluindo a religião – deixo aberto para o espectador, que deverá ligar os pontos de tantos simbolismos – envolvendo de água a vinho – que talvez seja uma tarefa inútil. Tão inútil como descobrir se Cristo ressuscitou ou não no terceiro dia.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2017-01-16 imdb