A Espuma dos Dias

Imagine que o mundo real foi invadido pela física (e a lógica) dos desenhos de animação no seu sentido mais bucólico. Onde a paixão é o suficiente para desenrolar qualquer novo relacionamento, e a dança é o suficiente para alterar as paredes de um quarto. Imagine, enfim, que estamos em um filme completamente tomado pelas loucuras inventivas de Michel Gondry.

Gondry, para quem não lembra, foi o diretor de Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, um filme onde Jim Carrey e Kate Winslet entram nas memórias de infância para esconder a lembrança do que sentem um pelo outro. O diretor também fez uma merecida homenagem aos efeitos de trucagens que tanto venera em “Rebobine, Por Favor”, onde cenas icônicas de filmes clássicos – como 2001 – são refeitas com o uso de técnicas amadorísticas de fundo de garagem. Esses dois exemplos agora lembram meros aquecimentos para o que viria em A Espuma dos Dias, um mundo inteiro criado através das tais trucagens, que parece evitar ao máximo o uso do digital, não como um desafio, mas como uma abordagem apaixonada do Cinema de mentirinha, algo que levaria às lágrimas o pai dos efeitos no Cinema, Georges Méliès.

Com essa abordagem de Moulin Rouge nos Tempos da Brilhantina, ninguém melhor para fazer o par romântico do que a namoradinha da França: Amélie Poulain… quero dizer, Audrey Tautou. Junto de um elenco que abraça o impossível com o maior prazer – incluindo Romain Duris (Bonecas Russas), Gad Elmaleh (Meia-Noite em Paris) e Omar Sy (Intocáveis).

★★★★★ Wanderley Caloni, 2015-07-20 imdb