A Face do Mal

O que faz um terror eficiente? Uma história convincente ou sustos convincentes? No caso de A Face do Medo, seus sustos pré-adolescentes com cortes bruscos e o volume do som aumentado é tão descartável quanto qualquer outro filmeco de terror do nosso tempo, assim como os efeitos digitais tão bonitos que perdem sua razão de existir. Porém, sua história nos convida a olhar para o sobrenatural como uma possibilidade mais aterrorizante do que os próprios fantasmas que rondam uma casa recém-habitada por uma família (e lá vamos nós para o clichê).

A história gira em torno de uma menina misteriosa, acontecimentos no quarto do garoto da família, e como a relação entre eles começa a revelar um acontecimento perturbador envolvendo a assombração de uma mulher e a comunicação com o além-mundo através de uma espécie de rádio. O rádio já foi melhor explorado em Alta Frequência – como suspense – e a mulher já foi melhor caracterizada em Mama. O que resta é pensar a respeito das possibilidades: e se espíritos realmente existirem? Haverá como contrapartida um paraíso? Se você possui uma vida de merda, não valeria a pena checar para ver se existe algo bom do outro lado?

O melhor terror sempre é o que existe em nossas vidas comuns e passáveis. Da rotina do dia-a-dia, sempre haverá um Dogville na vizinhança, mesmo sem sabermos que isso existe. A questão é que o fato de existir um Dogville não implica que exista um Amor Além da Vida. Infelizmente, assim como no mundo real, as coisas no mundo sobrenatural podem não ser tão simples como nossa mente deseja acreditar.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2014-06-15 imdb