A Festa de Despedida

Fui ver a cabine desta ótima comédia dramática Israelita/Alemã que fala sobre a eutanásia. Parece um tanto ridículo que esse tema ainda seja tabu. Por algum motivo que me escapa, a ilusão da cura ou o desejo de continuar com o ente querido vivo não parece para as pessoas como um ato egoísta, mas como um ato de caridade. Houve uma inversão histórica que desde o século passado nega o “ato de misericórdia” para os desafortunados de saúde, talvez pela crença inabalável na ciência moderna. Vai saber.

Enfim, o tema aqui é discutido sob o ponto de vista dos casais idosos, onde um deles geralmente tem uma doença terminal e ambos – o suicida primeiro, claro – decidem pelo fim de sua vida. O filme gira em torno de Yehezkel, um inventor de tranqueiras mecânicas, e sua esposa Levana, que sofre de Alzheimer. Conforme Levana vai se esquecendo das coisas e colocando a sua vida em risco, a questão de se internar fica mais eminente.

No entanto, é a situação de um amigo querido do casal que faz com que Yehezkel desenvolva uma máquina de eutanásia: um equipamento que o paciente pressiona um botão e uma dose letal o faz entrar em coma e morrer. Antes que acusem o filme de ser original, é preciso lembrar que essas máquinas já existiam, mas não são mais usadas ou fabricadas (apesar de vários países já legalizarem o suicídio assistido).

Como em toda comunidade idosa, a notícia logo se espalha e todos agora querem emprestar a tal máquina, fazendo girar a história dos diretores e roteiristas Tal Granit e Sharon Maymon e abordar temas diferentes em torno do mesmo assunto: matar seu companheiro de toda a vida é uma forma digna de despedida, mas e a dúvida que fica?

Oscilando de maneira elegante – na maioria das vezes – entre a comédia e o drama, o filme às vezes puxa um ou outro lado demais e a coisa sai mesmo estranha. Porém, o resultado final é bem positivo. A questão continua em aberto, mas talvez sua opinião mude um pouco a respeito dela.

PS: É preciso alertar que a distribuidora do filme, que forneceu esta cópia, não parece dar o devido respeito às legendas, isso na mesma semana de estreia prevista no país. Tivemos que assistir a cerca de 10 minutos sem legenda, o que em um filme falado em… hebraico?, é uma coisa de louco. Duas botas para você, distribuidora!

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2015-08-31 imdb