A Fuga

Não há muito o que falar de A Fuga (Deadfall), com Eric Bana e Olivia Wilde. As atuações desses dois atores elevam uma experiência banal de uma história mediocremente interessante sobre um casal de irmãos, Addison e Liza, que realiza um roubo e precisam fugir pela fronteira com o Canadá. No caminham encontram situações que vão aos poucos revelando suas características e seu passado juntos do pai alcoólatra. Mas isso é pouco. Nunca ficamos sabendo de fato o suficiente para que faça sentido acompanhá-los ou entender o que está em jogo. Addison não é violento, mas estrategista, se torna quando necessário. Porém, não mais do que qualquer pessoa comum no seu lugar. Liza parece querer dizer algo mais a partir do seu comportamento dissimulado e sua lascívia. A troca de nomes que ocorre em determinado momento é um recurso óbvio demais, o que faz perder toda a sutileza da introdução que sugere um histórico incestuoso.

Como se não bastasse somos obrigados a dividir o tempo em tela com outra família, formada por um xerife aposentado (Kris Kristofferson), sua mulher (Sissy Spacek) e o filho Jay (Charlie Hunnam), um ex-boxeador que acabou de sair da prisão por entregar uma luta. Há uma cena inicial com seu treinador em que é sugerido que o rapaz não tem mesmo sorte, mas o que ocorre em seguida nos leva a crer que algumas pontas soltas continuaram soltas no roteiro. O pai nunca o perdoou, mas ele está indo para casa passar o dia de ação de graças. O que ocorre em seguida é tão óbvio que tudo parece somar-se a uma grande perda de tempo.

A câmera do diretor Stefan Ruzowitzky parece tornar as coisas um pouco mais confusas ao não saber definir o estilo que pretende seguir. Se em determinado momento em um banheiro de motel o zoom oscilante evocando realismo e urgência é usado, nunca saberemos por que, pois o resto da história lembra o gênero policial genérico sem personagens marcantes em um ritmo lento e constante.

Em determinados momentos lembramos de Fargo porque a polícia parece estar sempre um passo atrás dos bandiso. Só que diferente do excelente trabalho dos irmãos Coen, a figura da filha do xerife local (mais uma família na história) não chega nem perto da sagacidade de Marge Gunderson (apesar de ter muito mais sorte e ser levada magicamente onde a ação ocorre). Assim como essa lembrança passageira toda a história é uma série de colagens de personagens ainda não terminados ou fracos demais, o que compromete todo o desenvolvimento das histórias paralelas, pois nunca ficamos de fato interessados em qualquer uma das três narrativas.

Com uma ou outra sequência isolada que poderia adicionar mais sobre aquelas pessoas e o que estão vivendo (como a noite na cabana com Addison e uma menina), a cena final que deveria representar todo o clímax daquela situação nunca chega a ser marcante. Piora a situação quando vemos um certo policial realizar um ato completamente insano e sem motivo algum. Se bem que, à essa altura do campeonato, quem se importa com coerência narrativa?

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2013-03-22 imdb