A Garota Desconhecida
Wanderley Caloni, 2017-01-24

Este é um filme intimista que lida com nossa percepção de humanidade, e desumanidade. Ela conta a história de uma doutora competente, perfeccionista, mas que por isso mesmo atende seus pacientes como doenças a serem solucionadas ou mantidas sob cuidados constantes. Apenas com um gesto automático, ela causa a morte indireta de uma moça desconhecida em frente ao seu consultório e a desistência de seu estagiário da medicina. A redenção da Dra. Jenny Davin (Adèle Haenel) irá através de um filme tenso dos irmãos Dardenne observar não apenas a forma igualmente fria e obstinada da médica em conseguir resolver o caso, mas também irá jogar luz sobre a percepção cada vez maior de que nos falta cada vez mais simpatia e humanidade com o próximo. Com um simples argumento, câmera na mão, jogo de cenas em uma montagem eficiente, acompanhamos todo esse processo que tece aos poucos uma sutil crítica social a respeito dos abandonados, dos rejeitados e ignorados, que mesmo depois de mortos viram um problema para a sociedade. É um retrato fiel e universal da indiferença crescente pelo ser humano, através dos olhos de uma protagonista incompleta durante todo o filme (sempre vista de lado ou de costas). A interpretação de Adèle Haenel não poderia ser mais correta. E a mensagem do filme, não poderia ser mais clara.

Crítica completa na estreia do filme no CinemAqui.

★★★★☆ La fille inconnue. Belgium. 2016. Direção: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne. Roteiro: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne. Elenco: Adèle Haenel (Jenny Davin), Olivier Bonnaud (Julien), Jérémie Renier (Le père de Bryan), Louka Minnella (Bryan), Christelle Cornil (La mère de Bryan), Nadège Ouedraogo (La caissière du cybercafé), Olivier Gourmet (Le fils Lambert), Pierre Sumkay (Le père Lambert), Yves Larec (Le docteur Habran). Edição: Marie-Hélène Dozo. Fotografia: Alain Marcoen. Duração: 113. Aspecto: 1.85 : 1. Crime. Estreia no Brasil: 23 February 2017. #cabine