A Hora do Pesadelo

Clássico de terror dos anos 80, continua envelhecendo bem, e apesar de sua ingenuidade para com o público sedento por realismo de hoje (só que sem muito sangue, por favor), estabelece o seu medo no campo dos sonhos, onde tudo é possível existir. Os efeitos não-digitais ajudam e muito a nos colocar no quarto com Marge (Ronee Blakley), Tina (Amanda Wyss), Rod (Jsu Garcia) e Glen (Johnny Depp). Quando vemos um garoto ser morto e seu sangue transbordar o teto do seu quarto, se esvaindo de baixo para cima, por mais que saibamos que esse efeito foi produzido filmando o set de cabeça pra baixo o efeito psicológico da cena permanece, pois gera a estranheza necessária do mundo dos sonhos (algo muito higienizado nA Origem de Nolan).

Mesmo assim, Freddy Krueger (Robert Englund) já não assusta mais, e é apenas instrumento do medo que brota do fato de sabermos que se ele está presente naquela realidade e ela pode ser manipulada de acordo com seu demoníaco prazer. O fato dele ir até as últimas consequências dos seus atos é a marca do terror daquela época e a fraqueza do terror de hoje em dia, acostumado a gerar tensão através de sustos fáceis e uma morte tão digital que seria melhor se não víssemos. Ainda melhor é notarmos que a maneira usada por Wes Craven para estabelecer a tensão, que dirigiu e escreveu diversos A Hora do Pesadelo e ressuscitou o suspense na década passada com Pânico, foi justamente acelerar os eventos e não nos dar muita certeza do que é possível esperar dessa junção entre real e imaginário. (Mais uma vez comparando com o terror/suspense capenga de hoje, que insiste em explicar todas as regras para no final transgredi-las.)

Por fim, um trabalho completo, embora breve demais. Assistindo o original fica óbvio que ele merecia continuações. A ideia é boa demais para ser usada em apenas 90 minutos de filme.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2013-07-28 imdb