A Jovem Rainha

Este é mais um filme de época. Dessa vez o foco é uma jovem rainha da Suécia, Cristina, considerada uma das mulheres mais instruídas de sua época (o que, se considerarmos como era o século 17, não era pouca coisa). A atriz que a interpreta, Malin Buska, rivaliza com Kristen Stewart como Bella Swan em Crepúsculo. E além disso o filme flerta com três estilos diferentes: um drama carregado, uma comédia de costumes e uma novela televisiva. Ao não conseguir alinhar a narrativa em apenas um estilo, o trabalho do diretor Mika Kaurismäki em exibir o roteiro de Michel Marc Bouchard quase como um descritivo histórico da época soa muito bom em poucos momentos onde todos os elementos – direção de arte, fotografia, trilha sonora, atores e diálogos – estão em harmonia, mas peca em quase todo o resto. Seu terceiro ato é o mais problemático, pois não consegue juntar todos os acontecimentos em torno de uma trama, já que a trama mistura o uso da filosofia da monarca com sua paixão proibida por uma mulher e ainda o destino do povo sueco, que é visto apenas por diálogos e de passagem. Talvez a mais pragmática mensagem seja a de quando os moradores de um vilarejo se reúnem em torno de uma rainha que tenta fazer um discurso rebuscado. Seu conselheiro simplesmente grita “cerveja grátis por conta da rainha” e automaticamente todos aplaudem a monarca. Pelo jeito, as coisas não mudaram muito na política desde então.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2017-02-16 imdb