A Leoa

2017/10/22

A Leoa é um filme norueguês que passaria despercebido não fosse sua produção cara e sua característica peculiar: ser um filme sobre um caso anormal que no fundo é a história da vida de uma pessoa que, independente de sua situação física, parece estar muito bem obrigado. Dessa forma, a grande “atração” do filme é servir de isca para o grande público comprar a ideia de acompanhar a vida de uma mulher que sofre de uma anomalia genética que a faz crescer pelos por todos os poros de sua pele, tendo a feição de uma leoa e digna dos bizarros shows que existiam até na primeira metade do século passado. E agora nós, espectadores de um filme de 2016, somos a plateia ainda interessada nessa história. Isso de certa forma resume como as pessoas continuam as mesmas, apesar de novas regras de conduta.

Porque veja bem: esta é basicamente uma história comum. Baseada no romance de Erik Fosnes Hansen, o diretor Vibeke Idsøe narra os anos de Eva do dia do seu nascimento até sua fase adulta de maneira burocrática e sem maiores atrações. Ela sofre alguma humilhação em uma aparição em público, é mantida de castigo no armário debaixo da escada de vez em quando pelo seu pai, é criada por uma madastra amorosa e por um pai ressentido, cujas ações podem ser boas ou más, dependendo da maneira com que o filme nos manipula para torcer ou temer pelo próximo resultado das ações da menina.

O que o filme ignora é que Eva é uma garota forte. Ela resolve o problema de sofrer bullying na escola rapidamente, consegue estudar muito melhor sozinha no lago e arruma amigos que são dignos de serem seus amigos, como o rapaz do telégrafo do negócio do seu pai, chefe da estação ferroviária. Eles moram na estação, e isso não tem qualquer significado especial, exceto a posição financeira privilegiada da família de Eva, que pode bancar uma viagem a um congresso de epidermologistas que se transforma em um circo de horrores.

Os eventos de “A Leoa” parecem ser tirados de uma biografia, como O Homem Elefante (David Lynch, 1980), e a referência é óbvia: ambos são pessoas extremamente inteligentes, dadas as oportunidades de se educarem. No entanto, O Homem Elefante de fato existiu, e Eva é apenas fruto de um romance, que parece ter sido mutilado para mostrar um drama genérico em formato de novela e sem qualquer narrativa minimamente interessante que passe de um momento na vida da corajosa garota para outro. Tudo são instantes colhidos por conveniência.

Dessa forma, este é um filme passável e esquecível desde o primeiro momento que ele acaba. Nenhuma imagem fica das aventuras da leoa, pois não há espaço para a construção do personagem. Apenas a construção de um filme que irá mostrar uma das atrações favoritas dos seres humanos: a bizarrice dentro de nós mesmos.

★★★☆☆ Løvekvinnen. Norway, 2016. Direction: Vibeke Idsøe. Script: Erik Fosnes Hansen. Vibeke Idsøe. Cast: Rolf Lassgård (Gustav). Kjersti Tveterås (Hannah). Aurora Lindseth-Løkka (Eva). Mathilde Thomine Storm (Eva). Ida Ursin-Holm (Eva). Karen-Lise Mynster (Mrs. Birgerson). Lars Knutzon (Professor Stroem). Kåre Conradi (Jahnn). Rolf Kristian Larsen (Sparky). Edition: Perry Eriksen. Cinematography: Dan Laustsen. Soundtrack: Uno Helmersson. Runtime: 126. Gender: Drama. Category: movies Tags: netflix

Share on: Facebook | Twitter | Google