A Luta do Século

Aug 29, 2018

Imagens

A luta é do século. No caso, o século 21. Estamos diante de dois rivais clássicos da luta de boxe do nordeste brasileiro. Todo Duro e Holyfield são os ícones mais desconhecidos que já se teve história no esporte, e ao mesmo tempo possuem a rixa mais incompreensível. Regionalistas e com uma primeira luta com desfecho surpreendente, o desfecho dessa história é mais surpreendente ainda.

Mas nem por isso o diretor/roteirista deste documentário Sérgio Machado (do fraco (Quincas Berro d’Água](/quincas-berro-dagua)) aproveitou a história deste dois boxeadores para traçar a obra do destino de maneira mais catártica. Machado resume a história com uma narração em off burocrática e em ordem cronológica, onde o maior presente é a reunião dos vídeos dos dois brigando, dentro e fora dos ringues. A edição é completa, ritmada, mas não possui um ponto de vista. Talvez o filme tente não dar preferência a nenhum dos dois campeões, mas com isso perde um pouco do que torna uma história boa de se ouvir: a parcialidade dramática.

O campeão pernambucano Luciano Todo Duro venceu a primeira das lutas com seu adversário em pontuação polêmica. Desde então ele vem provocando seu desafeto, o baiano Reginaldo Holyfield, famoso em qualquer periferia de Salvador em que ele passe. Ambos são fanfarrões lendários e falam tanto quanto lutam. Ambos chegaram próximo do título mundial dos supermédios (na época um peso intermediário entre o médio e o pesado), além de terem ganho os torneios continentais de sua categoria. Ambos passaram por momentos de superação em suas humildes infâncias, além de eventos traumáticos em sua história de vida. É bonito de ver esses dois hoje tios ainda se digladiando com palavras cheias de farpa e exalando ainda saúde e agilidade.

Seguindo a tradição em filmes de boxe no Cinema, onde a história nunca é sobre o boxe em si, A Luta do Século é sobre essa rivalidade, e acompanha os melhores momentos da eterna peleja entre esses dois. Ninguém poderia documentar corretamente esta trajetória senão um cineasta nordestino. Machado é baiano e mesmo assim ele não pende para o lado de Holyfield, preferindo colocar o drama cinematográfico desses dois acima de tudo. E isso, se formos pensar, é a força e a fraqueza deste curto e interessantíssimo documentário.

Wanderley Caloni, 2018-08-29. Idem. Brasil, 2016. Escrito e dirigido por Sérgio Machado. IMDB.