A Máfia Mata Apenas no Verão

Um filme político disfarçado de comédia com crianças. De quebra, usa o velho clichê de inserir acontecimentos reais sobre a máfia de Palermo, mortes reais, dentro de um romance, tentando ligá-lo, mas sem muito grude. Falta alguma originalidade no contexto dessa história.

Dirigido por Pif, que também é ator, a introdução e todo o filme é narrado por Arturo (o próprio Pif) como o conto da mulher inalcançável porque nunca teve coragem de se declarar. A mulher, Flora (Cristiana Capotondi), não se sabe se ela gosta de Arturo quando adulta, se teve uma pequena queda por ele quando menina, ou se está apenas fazendo o velho jogo da sedução. Ela simplesmente não se importa, e faz questão de dizer isso para o espectador, com seu jeito despojado e interessado apenas na política.

Não à toa. Seu pai é um dos responsáveis por lutar contra a máfia na região de Palermo, enquanto Arturo é o espermatozoide que chegou atrasado e que conseguiu fecundar o óvulo de sua mãe porque os outros fugiram, assustados com um tiroteio de mafiosos.

Brincando com piadas inocentes bem ao estilo filme italiano, e lembrando a estrutura clássica de filmes como Cinema Paradiso, A Máfia Mata Apenas no Verão acerta em seu tom, mas se perde em sua trama, pois ela é vaga, e tenta ligar-se demais à realidade política da região, usando tomadas mescladas entre ficção e realidade (“Forrest Gump”).

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2016-04-10 imdb