A Maldição do Demônio

Acabei assistindo este pequeno clássico de terror italiano em inglês (na Netflix americana), mas pouco se perde quando vemos que o visual arrebatador de sombras e efeitos até que competentes (ainda hoje) consegue subverter o sensual para o escatológico com uma facilidade que parece torná-los indissociáveis. Quer mais terror que isso?

Contando a história da maldição de uma bruxa (Barbara Steele) e uma descendente do inquisidor que a amaldiçoou e a matou com a famigerada máscara do diabo – uma construção cheia de pregos na parte de dentro martelada no rosto da vítima –, o filme conta a historia de vingança contra essa família depois que o Doutor Thomas Kruvajan (Andrea Checchi) acidentalmente deixa pingar gotas de sangue dentro do túmulo da tal bruxa, fazendo-a voltar à vida.

Cheio de momentos que oscilam entre a calma completa e o terror instantâneo, a história nunca deixa-nos tomar fôlego o suficiente para entender o que está acontecendo, e quando o ritmo de um filme dos anos 60 faz isso, me imagino na situação de um espectador da época, umas mil vezes mais atordoado.

Aliás, considerado na época extremamente pesado – seja pelas cenas escatológicas quanto pela beleza e sensualidade estonteantes de Barbara Steele – Black Sunday foi proibido no Reino Unido (aliás, o que não era na época?) e censurado nos EUA. No entanto, alavancou a carreira do diretor Mario Bava e de Barbara. Chegou a ser votado em 2004 como um dos 100 momentos de filmes mais aterrorizantes (não consegui encontrar qual exatamente, mas tenho uma vaga impressão).

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2015-08-11 imdb