A Morte lhe Cai Bem

Comédia da sessão da tarde feita nos anos 90, era um filme engraçadinho com efeitos visuais de espantar. Hoje se transformou em uma surpreendente crítica aos cosméticos e uma direção extremamente inspirada de Robert Zemeckis (O Voo), que já naquela época prezava pelo controle e expressão do tom do filme através dos nada sutil enquadramentos.

O importante é que o filme envelheceu muito bem, e manteve sua qualidade sobretudo nos efeitos visuais e maquiagem, que são partes vitais da narrativa. Abraçar o absurdo das situações foi uma das melhores estratégias de Zemeckis.

Meryl Streep e Bruce Willis estão bem deslocados de suas personas clássicas, e se saem muitíssimo bem no papel da diva que começa a envelhecer e o cirurgião plástico que não consegue perceber o fascínio das mulheres à sua volta (como na tirada sensacional onde uma delas pergunta qual o seu segredo). O terceiro elemento, a vingança, se mostra menos interessante no decorrer da narrativa, se transformando em uma cópia barata de Streep conforme ambas vão se definhando.

A crítica aos cosméticos não poderia ter sido melhor desenvolvida. A comédia sempre pode ser usada como uma lupa para os nossos erros.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2013-11-02. A Morte lhe Cai Bem. Death Becomes Her (USA, 1992). Dirigido por Robert Zemeckis. Escrito por Martin Donovan, David Koepp. Com Meryl Streep, Bruce Willis, Goldie Hawn, Isabella Rossellini, Ian Ogilvy, Adam Storke, Nancy Fish, Alaina Reed-Hall, Michelle Johnson. imdb