A Mulher Do Fazendeiro

Jul 1, 2018

Imagens

Hitchcock dirige aqui mais uma comédia de costumes sobre casamento, e extrai o drama do bom humor. Ele continua com suas trucagens já vistas em filmes anteriores, como movimentar a câmera em alguns momentos e aproximar-se dos personagens com cortes que abrem um plano mais fechado.

Isso não quer dizer que o enquadramento anterior estava inadequado, pois não estava. Tome como exemplo a festa de casamento de sua filha, onde antes de vermos em detalhe a pessoa que irá fazer o brinde o diretor deixa a câmera na altura da mesa e de onde podemos ver todos erguendo seus copos/taças.

Na época do cinema mudo a proporção da tela era 4:3. Ou seja, quase quadrada. Isso exige algum malabarismo para colocar tudo que importa no quadro.

A história é simples: recém viúvo se sente solitário e sai em busca de pretendentes para se casar novamente. Desde o começo sabemos que sua governanta nutre uma afeição por ele. O cinema mudo exagera nos gestos e expressões, mas veja como economia nos diálogos! Aos poucos vemos como ele não tem jeito com as damas, vai as perdendo uma a uma. Note também como na época não era um disparate falar sobre idade e peso das moças (claro que elas não gostavam muito, principalmente se eram feias e gordas).

Os momentos engraçados incluem também seu capataz, sempre bêbado, mau humorado e um tanto vagabundo. Os personagens no filme não cumprem função na história principal, são coadjuvantes que acrescentam ao universo, como hoje em dia na TV.

Hitchcock continua seu bom trabalho de ritmo. Em nenhum momento o filme perde o fôlego. Se envolver-se com os personagens principais é capaz até que se emocione no final.

Wanderley Caloni, 2018-07-01. The Farmer's Wife. Reino Unido, 1928. Escrito por Eliot Stannard adaptado da peça de Eden Phillpotts. Dirigido por um ainda jovem Alfred Hitchcock. Com Jameson Thomas, Lillian Hall-Davis, Gordon Harker. IMDB.