A Origem do Dragão

Eis a alma de Bruce Lee em formato de homenagem. E mesmo que este filme seja um caça-níqueis, ele o faz de maneira honesta. Bruce Lee se especializou em fazer filmes onde um homem de origem humilde resolve se rebelar contra as injustiças do mundo, da exploração dos pobres pelos ricos, etc. Para isso ele treina muito ou é um mestre em kung fu em um estilo que resolve todos os problemas. Aqui ele está para terminar seu primeiro filme, já é um mestre reconhecido na América, e recebe a visita de um mestre do templo Shaolin que cumpre penitência por ter feito um ato vergonhoso. A discrepância entre os valores de ambos não poderia ser maior. E ainda assim não é aí que reside o bem contra o mal. Há um microcosmos do universo Bruce Lee no filme no papel de um discípulo americano, que segue os dois mestre e tenta salvar uma donzela em perigo. As cenas de luta, apesar de muitos cortes, são eficientes pela beleza, e não há nada mais bonito aqui do que a conclusão da luta lendária sobre o qual o filme foi inspirado, entre Bruce Lee e Wong Jack Man, em um galpão abandonado com 12 testemunhas. Todas as diferenças entre esses dois homens é resolvido através da luta e da arte. Ambos aprendem no processo e algo lindo surge: um filme que respeita a inteligência do espectador, é um ótimo entretenimento, possui uma trilha sonora inspirada com flautas belíssimas e, vez ou outra, faz pensar. Lee, se não ficaria orgulhoso com esse filme, ao menos se reconheceria ali.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2017-12-14 imdb