A Saga Crepúsculo Amanhecer Parte 1

Se pudéssemos abstrair o fato de que desde seu início a “saga” Crepúsculo não teve uma única linha narrativa que conseguisse manter de fato uma história com começo, meio e fim, seria possível dizer que “Amanhecer: Parte 1” — penúltimo filme da série — ganha em ritmo próximo ao seu final e consegue nos fazer esquecer, através do seu design de arte mais aprimorado que seus antecessores, os vampiros brilhantes de Stephenie Meyer, que subiam em árvores como macaquinhos excitados.

Mesmo assim, é necessário adentrar na história. Vemos o casamento entre Bella Swan e Edward Cullen, envolto em uma aura de acontecimentos futuros nefastos, traduzidos por delírios de Bella, e que já cumpre parte desse futuro já na lua-de-mel do casal, quando Bella é covardemente agredida pelo seu recém-marido. E pede mais! O sexo existe e não o vemos, apenas agressão. Chega a ser sintomático: o único tema constante em todos os filmes — a tensão sexual do casal/trio — nunca se desenvolve de fato. Fica morno, e continua morno até mesmo depois do próprio ato! Um feito e tanto, se considerarmos que Kristen Stewart consegue ser sensual, como pôde ser visto na cena de dança de Na Estrada.

De qualquer forma, as cenas com os dois pombinhos aparentemente merece mais tempo de tela do que o “grande conflito” da história: Bella engravida. Em meio às agressões que sofre. (Interessante como nunca há prazer nos filmes desse casal de apaixonados.) Esse filho misto de vampiro brilhante e humana sem sal aparentemente é uma aberração que deve ser exterminada, e é isso o que os lobos sem camiseta tentarão fazer. Dois conflitos, então, surgem: 1) a gravidez perigosa de Bella, que pode matá-la — afinal, tem algo brilhante dentro de seu ventre — e 2) a ignorância dos lobos, que pretendem destruir o que não conhecem pelo bem de alguma tradição/pacto passado que pelo jeito não interessa muito para a história, assim como não interessa o recente conceito de “imprinting”, que surge aos 45 minutos do segundo tempo para criar uma expectativa idiota, descartável — pois o conflito dos lobos é descartável — e pedófila!

Talvez fosse melhor nos focarmos no não-essencial da trama: a possibilidade que um vampiro brilhante e sua amada sem sal suportassem todo esse tédio e acontecimentos previsíveis e estúpidos para finalmente apreciarem o amanhecer de um novo dia, com mais efeitos e menos história. Essa não interessa tanto assim.

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2012-11-17 imdb