A Viagem de Chihiro

A Viagem de Chihiro é um passeio fantasioso sem ser infantil pelo mundo dos espíritos, onde a história importa menos do que o mundo criado para ela, tal qual um Senhor dos Anéis ou Star Wars.

(Isso não o exime de seu terceiro ato capenga, que tenta por duas vezes estabelecer um clímax na história sem se importar com a grandiosidade do que vimos anteriormente. Em outras palavras: o conflito principal empalidece depois de tudo o que vimos no filme.)

Mais do que isso, o que vimos no filme não é apenas uma imaginação sem limites dos estúdios Ghibli, mas traços cuidadosos de uma animação perfeccionista, embalada por efeitos sonoros mais que reais, e transformados em poesia através de uma trilha sonora grandiosa, cujo tema é refeito em diferentes momentos como uma lembrança eterna de por que Chihiro está nessa aventura.

A história começa com a mudança de sua família e quando o pai se perde no caminho e encontra um suposto parque de atrações abandonado. Encontrando um restaurante aparentemente aberto, seus pais começam a comer sem ser convidados e são transformados em porcos, um momento que consegue definir com precisão que este não é um filme para crianças sensíveis.

Da mesma forma, a sequência em que Chihiro precisa dar banho no espírito mais imundo de todos, o melhor momento do longa, representa o espírito do roteiro de tanto tornar as coisas fáceis para Chihiro quanto não torná-las fáceis demais. Se formos pensar friamente, pouco importa seu desafio de resgatar sua vida original em um mundo onde há magia, hierarquias auto-evidentes e funções eternas já definidas para cada ser, que parece ter “nascido” para isso.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2015-12-27. A Viagem de Chihiro. Sen to Chihiro no kamikakushi (Japan, 2001). Dirigido por Hayao Miyazaki. Escrito por Hayao Miyazaki. Com Rumi Hiiragi, Miyu Irino, Mari Natsuki, Takashi Naitô, Yasuko Sawaguchi, Tatsuya Gashûin, Ryûnosuke Kamiki, Yumi Tamai, Yô Ôizumi. imdb