A Viagem de Chihiro

A Viagem de Chihiro é um passeio fantasioso sem ser infantil pelo mundo dos espíritos, onde a história importa menos do que o mundo criado para ela, tal qual um Senhor dos Anéis ou Star Wars.

(Isso não o exime de seu terceiro ato capenga, que tenta por duas vezes estabelecer um clímax na história sem se importar com a grandiosidade do que vimos anteriormente. Em outras palavras: o conflito principal empalidece depois de tudo o que vimos no filme.)

Mais do que isso, o que vimos no filme não é apenas uma imaginação sem limites dos estúdios Ghibli, mas traços cuidadosos de uma animação perfeccionista, embalada por efeitos sonoros mais que reais, e transformados em poesia através de uma trilha sonora grandiosa, cujo tema é refeito em diferentes momentos como uma lembrança eterna de por que Chihiro está nessa aventura.

A história começa com a mudança de sua família e quando o pai se perde no caminho e encontra um suposto parque de atrações abandonado. Encontrando um restaurante aparentemente aberto, seus pais começam a comer sem ser convidados e são transformados em porcos, um momento que consegue definir com precisão que este não é um filme para crianças sensíveis.

Da mesma forma, a sequência em que Chihiro precisa dar banho no espírito mais imundo de todos, o melhor momento do longa, representa o espírito do roteiro de tanto tornar as coisas fáceis para Chihiro quanto não torná-las fáceis demais. Se formos pensar friamente, pouco importa seu desafio de resgatar sua vida original em um mundo onde há magia, hierarquias auto-evidentes e funções eternas já definidas para cada ser, que parece ter “nascido” para isso.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2015-12-27 imdb