A Vida de Outra Mulher

A atriz Sylvie Testud dirige este longa com a sempre interessante Juliette Binoche no papel de Marie Speranski, uma mulher que após encontrar o amor de sua vida e dormir com ele acorda 15 anos depois, não se lembrando de nada que viveu por todo esse tempo. Apesar da maquiagem atrapalhar um pouco a transição, é a interpretação intensa de Binoche que nos faz acreditar nessa transição, em um filme que mescla comédia e drama de maneira um pouco atribulada, quase Hollywoodiana, mas que consegue no processo nos fazer pensar em como mudamos conforme o tempo passa, nos acostumamos com relacionamentos, e, o pior, nos esquecemos de viver, mesmo tendo atingido ou mesmo passado nossas ambições quando jovem.

Contracenando com Mathieu Kassovitz (o interesse amoroso em Amélie Poulain), aqui ele faz pouco, pois é mero coadjuvante das descobertas de Marie, que se vê jogada em uma situação onde há um filho que ela precisa redescobrir, uma rotina de empresária e um casamento prestes a desmoronar.

Esse é um filme doce e tocante, que se interessa pelas emoções de sua heroína quando não está brincando com elas, e apetece os corações mais sensíveis com momentos e diálogos que poderiam ser repetidos por muitos de nós. Uma obra para ser degustada a sós para reflexão, mas em companhia para não corrermos o risco de ficarmos depressivos ao seu final.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2015-08-23 imdb