Abel

Abel é um filme-fantasia que se deixa levar pela premissa que o garoto-título resgata a memória do pai ausente como sendo a dele mesmo. Aconteceu algo no passado que não sabemos — possivelmente o não-retorno do pai — que fez com que Abel fosse internado em um hospital e voltasse apenas dois anos depois com a mãe, seu irmão e sua irmã para uma casa em um condomínio abandonado.

A fotografia é belíssima, pois consegue trazer aquele ar pálido, seco e quente, de um futuro sem perspectivas para aquela família. O diretor/ator Diego Luna aparentemente não sabe deixar a câmera quieta, mas quando ela se move, parece querer captar todo aquele caos em uma só tomada, o que é admirável.

No entanto, o filme falha miseravelmente em tentar se aprofundar no drama, ficando apenas em sua superfície do “filho que pensa que é pai”. Leva isso até as últimas consequências, é verdade — como a cena da “concepção” — mas se o máximo que o roteiro consegue produzir de perigo são dois garotos andando no meio de contêineres e uma taxista e um vigia relapsos, a fábula se quebra facilmente.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2014-04-26 imdb