Água para Elefantes

Uma história tão inspirada como essa, que consegue relacionar os sentimentos descontroláveis do dono de um circo da década de 30 com seus animais e seu sentimento de posse não só para com eles, como para seus funcionários e sua própria esposa, mereceria um elenco melhor escolhido. Não me levem a mal: Christoph Waltz é o máximo, apesar de com um personagem não tão redondo quando o impagável Coronel Hans Landa no Bastardos Inglórios. Porém, aqui a figura de August é mais sombria e menos irônica, e os trejeitos de Waltz deflagram essa discrepância. A mesma coisa com a não-tão-linda-como-é-sugerida Marlena/Reese Whitherspoon, que possui os mesmos trejeitos de tantas comédias românticas e não transparece a figura ingênua e dócil que sugeriria sua personagem.

Do elenco principal, o único que merece alguma atenção é Robert Pattinson (Jacob), que não desagrada fazendo o papel do personagem que empresta seus olhos para o espectador quando este adentra no mundo do circo. Até o romance com Marlena é compreensível, e as cenas em que os vemos juntos transparece o perigo que isso representa.

A direção compassada de Francis Lawrence (Eu Sou a Lenda, Constantine) consegue resgatar a mensagem lúdica daquele passado irregular, assim como as eficientes direção de arte e fotografia penumbram boa parte das cenas e horizontes como que a embaçar a nossa visão realista da Grande Depressão e se atentar mais ao pequeno drama que se estabelece sob as arenas de um circo, para onde as pessoas vão justamente para se esquecerem das agúrias da economia.

Mesmo assim, parece que falta algo nesse Água para Elefantes. Não há um voo muito alto. Ficamos à mercê dos acontecimentos e não conseguimos cuidar corretamente dos sentimentos envolvidos. Talvez fruto disso seja mesmo o elenco competente mas em filme errado.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2012-08-27 imdb