Aladdin

Wanderley Caloni, May 20, 2019

Todos sabem a história. Está nas Mil e Uma Noites (apesar de não fazer parte do original arábico, leia descrição no final do texto). Jovem humilde encontra lâmpada e com isso tem o poder de se casar com a princesa. Os detalhes foram compilados em um projeto que se arrastou por anos durante o período do renascimento dos estúdios Disney, nos anos 90, quando depois de longo hiato os lançamentos de A Bela e A Fera, O Rei Leão, Aladdin entre outros catapultou novamente a produtora nos holofotes de público e crítica.

Os filmes dessa safra são simples, teatrais. São feitos para serem musicais por excelência. Aladdin explora uma ideia em torno de seus arquétipos e executa-os muito bem, com música, humor, aventura, romance e inspiração. Não se trata de uma história ingênua, mas é preciso prestar atenção nas entrelinhas para entender o que é todo esse alvoroço em torno da lâmpada.

Se trata da busca incessante dos homens pelo poder de realizar os seus desejos. É óbvio, mas observe como para isso existe um escravo envolvido: o Gênio (Robin Williams), que deseja depois de dez mil anos preso ser livre. O gênio que tem um desejo por si mesmo. Em torno dos desejos é que se elabora uma história que sutilmente relaciona nossas pequenas prisões na vida, como o destino de uma princesa em se casar com um príncipe e das necessitudes de órfãos pobres perambulando pelas ruas buscando pela mínima oportunidade de conseguir comida.

A primeira metade do filme é a mais inspiradora nesse sentido. Note como a princesa Jasmine deseja a liberdade e observa os passarinhos que liberta. Ao mesmo tempo repare o pequeno universo que o Gênio vive em meio às suas interrupções, piadas e alegorias divertidíssimas. O vilão é o mesmo vilão de sempre: uma Úrsula de barba e cajado. Disney nunca foi e nunca será capaz de criar vilões memoráveis. Bom, talvez Scar

A música-tema, A Whole New World, canta não apenas sobre o casal de apaixonados, mas sobre a possível liberdade que o Gênio poderá receber. Esta é a história da transformação para todos os personagens, e a mágica envolvida no conto é expressado no filme pelos traços irreais da equipe de animação, que utiliza nesse período os desenhos tradicionais e a ajuda computadorizada.

Uma diversão simples e eficaz. Funciona porque é curto, com uma hora e meia. Será lançado esse ano a versão live-action, que eu temo muito, por ter mais de duas horas. Me pergunto por quê. A Disney e nenhum estúdio politicamente correto não tem muito o que falar do mundo exceto reclamar de suas “injustiças” da cartilha. Se ao menos eles celebrassem, como em Aladdin, a diversidade de opiniões com o mínimo de honestidade…

Imagens e créditos no IMDB.
Aladdin ● Aladdin. EUA, 1992. Dirigido por Ron Clements e John Musker. Escrito a partir de um pitch do compositor Howard Ashman de um musical; Ashman escreveu 40 páginas de um roteiro. Nós sabemos que Aladdin fez parte dos Contos da Mil e Uma Noites, apesar de não ter sido parte do texto em árabe original, pois foi adicionado posteriormente no século 19 pelo arqueologista Antoine Galland que adquiriu o conto do escritor e narrador sírio Hanna Diyab. O final da história é que os créditos de Alladin, da Disney, listam 20 pessoas, e entre elas nem constam os autores originais. O problema foi que o projeto foi sendo empurrado por seis anos porque a Disney estava mais interessada em terminar A Bela e A Fera e O Rei Leão. Com Scott Weinger, Robin Williams como O Gênio da Lâmpada e Linda Larkin. ● Nota: 4/5. Categoria: movies. Publicado em 2019-05-20. Texto escrito por Wanderley Caloni.


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