Aliens A Ressueição

Wanderley Caloni, December 12, 2011

Dando continuidade ao “terror biológico” iniciado pelo antecessor Alien³, quando um cachorro foi infectado por um alien que ganha suas feições ao nascer, o novo filme da franquia reabre a caixa de Pandora se aproveitando da discussão contemporânea de clonagem e “ressuscitando” a Tenente Ripley através de amostras de seu sangue já modificado pelo seu parasita espacial.

Porém, o mais impressionante da introdução é saber que não só o resultado é uma cópia idêntica a Ripley antes de ter se jogado no caldeirão fervente do filme anterior, mas boa parte de suas memórias são restauradas. A explicação para isso nunca é totalmente justificada, mas faz pensar que as capacidades de manipulação genética da ameaça alien chega a servir de exemplo para a teoria da descendência Junguiana.

Por fim, a companhia finalmente consegue botar em prática seu plano inicial: reconstruindo Ripley a partir de seu DNA modificado, conseguem desenvolver em conjunto o alienígena em seu peito e o retirar já na fase adulta para desenvolvimento em incubadora. O risco dessas criaturas escaparem, nós já sabemos e eles não, é de quase 100%.

Aliás, a forma de fotografar e dirigir esse longa difere substancialmente dos anteriores pelo tom cômico aplicado por Jean-Pierre Jeunet (Amélie Poulain, Mic-Macs), como o uso de cores mais vivas e os zooms na face do General Martin Perez, engraçado já pela própria construção de Dan Hedaya ao personagem (Os Suspeitos, Cidade dos Sonhos).

A novidade da vez, além de termos cenas em que os Aliens parecem mais de perto e com movimentos que indicam melhor sua personalidade e inteligência, são eles nadando na água, o que ao mesmo tempo que demonstra mais uma capacidade do ser fenomenal revela planos com os aliens de corpo inteiro. Porém, o momento mais aterrorizante do longa é quando Ripley encontra a sala onde ficam guardados outras sete versões dela mesma (ela é a oitava tentativa do projeto, razão pelo qual seu braço tem o número 8 tatuado). Apenas a sugestão que seria possível nascer um misto Ripley-Alien já é por si só, sem imagens, perturbador.

De certa forma, a nova Ripley contém um pouco de alienígena, o que é ilustrado de maneira coerente por Sigourney Weaver e seus sorrisos de satisfação ao descobrir algo sobre si mesma, e a ausência do medo de morrer em situações de risco com os alienígenas soltos. Já a segunda presença feminina, Winona Ryder, consegue manter o suspense de seu personagem, embora nunca desenvolver seu papel à altura de seus “contrapartes” nos filmes passados. Além disso, seu papel é incerto, e seus motivos, nunca justificados por completo, e embora uma descoberta desconcertante no meio da história abra um leque de questionamentos filosóficos, a forma simplória com que a sequência termina deflagra a pressa em seu desenvolvimento, virando apenas uma curiosidade en passant.

A criatura final, por sua vez, assusta pela novidade em seu design e pela forma com que vem ao mundo e acaba se relacionando com sua “mãe-alien”. De certa forma, acaba sendo a única ameaça global de fato durante toda a história, um péssimo sinal considerando que ela só aparece no final do terceiro ato.

O significado da chegada ao planeta Terra, enquanto remete à esperança, também dá a ideia de renascimento. Talvez o próprio renascimento do título sirva não apenas para seu começo, mas também o seu final. Talvez a forma escolhida para dar abertura à franquia que, apesar de promissora, nunca conseguiu vingar.

Imagens e créditos no IMDB.
Aliens A Ressueição ● Aliens A Ressueição. Alien: Resurrection (USA, 1997). Dirigido por Jean-Pierre Jeunet. Escrito por Dan O'Bannon, Ronald Shusett, Joss Whedon. Com Sigourney Weaver, Winona Ryder, Dominique Pinon, Ron Perlman, Gary Dourdan, Michael Wincott, Kim Flowers, Dan Hedaya, J.E. Freeman. ● Nota: 4/5. Categoria: movies. Publicado em 2011-12-12. Texto escrito por Wanderley Caloni.


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