Alien o Oitavo Passageiro

Wanderley Caloni, December 4, 2011

Falar de “Alien, o Oitavo Passageiro” é falar de ficção científica, terror e suspense. Todos esses gêneros estão em um grau quase equivalente na produção de 1979. Dirigido por Ridley Scott (Blade Runner, 1492, Hannibal, Gladiador) e com roteiro e história de Dan O’Bannon (A Volta dos Mortos Vivos, O Vingador do Futuro), o filme inicia no momento em que a nave Nostromo, inicialmente programada para retornar à Terra, decide acordar seus tripulantes da hibernação para averiguar um possível sinal de vida inteligente em um planeta inóspito. Sem muitas informações do que possa existir na origem do sinal é montado um grupo de exploração.

Desde os primeiros minutos, em que a nave se encontra deserta, até o momento em que ela volta às atividades humanas é possível sentir o isolamento das pessoas através do silêncio e vazio do espaço e, por que não, até pela razão de tela extremamente larga, o que nos deixa com paisagens e planos largos demais para tão poucas pessoas em cena, algo já explorado em 2001 — Uma Odisseia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick.

A equipe da Nostromo é formada por sete heterogêneos tripulantes (e daí o criativo sub-título brasileiro), que possuem cada um à sua maneira uma forma de lidar com a situação, seja a visão comercial de sua empreitada defendida pelos engenheiros Parker (Yaphet Kotto) e Brett (Harry Dean Stanton), seja a visão mais determinada de seu comandante Dallas (Tom Skerritt, Contato) ou reflexiva do cientista Ash (Iam Holm), que parece observar com cuidado cada passo tomado pela tripulação. Enfim, é a relação entre essas pessoas que irá dar o tom de transformação de personagens de acordo com os eventos que se seguem. Cada um irá lidar à sua maneira com os problemas porvir, não necessariamente da melhor maneira. Porém, isso é o que torna aquelas pessoas mais reais, pois em determinadas situações extremas nunca sabemos como iremos reagir.

A construção da atmosfera é o principal da primeira parte do filme, além da relação entre os tripulantes. Note os pequenos relances entre os personagens e a forma como ele posiciona-os em cada cena. Conforme os problemas aumentam, a tensão pode ser vista no rosto dos tripulantes, um semblante que vai tomando conta da Nostromo, uma vez que nada deveria dar errado em uma situação daquelas. No entanto, até um dado momento, existe controle e para tudo existe um procedimento. Porém, conforme os problemas aumentam, os procedimentos dissipam, e a própria nave-mãe não possui respostas.

Principalmente se não existe muito o que fazer para evitar o inevitável.

E o inevitável é o que gera a reviravolta principal do filme, quando, pela primeira e única vez, a equipe da Nostromo está aliviada e feliz pela recuperação do companheiro. A celebração é sincera, mas não é o que aparenta para uma pessoa, como podemos notar nessa magnífica sequência. *

É exatamente essa atmosfera de impotência crescente que instaura o clima de terror na nave e consegue oscilar com o gênero ficção científica tão bem, pois ao mesmo tempo que existe uma ameaça, ela existe tão somente pelo isolamento da raça humana naquele momento, algo que fica evidenciado conforme a quantidade de humanos vai diminuindo, e a ameaça, sempre crescendo.

A partir daí se constrói um suspense arrasador, com a tensão do espectador aumentada ao vislumbrar partes ainda desconhecidas da nave, que ao mesmo tempo representa o hóspede desconhecido que precisa ser controlado. Para os tripulantes, esse desconhecido é representado por relances inusitados e planos construídos a partir das próprias vítimas, que caminham para o seu fim.

Nesse desenrolar, um personagem se destaca de forma praticamente natural e inusitada. Inusitada porque naquele momento o Cinema ainda não havia experimentado uma heroína de verdade. Natural porque, como podemos facilmente perceber, a personagem não ocupa um lugar importante no início da trama, mas aos poucos se evidencia até tomar as rédeas da sanidade a bordo. Nesse momento, um ícone se forma: Tenente Ripley. Um ícone tão marcante que ainda irá ser reutilizado muitas vezes, como sinônimo do nosso mergulho ao desconhecido dentro de nossa própria mente.

  • Existe um vídeo do crítico Pablo Villaça dissecando essa cena, que vale a pena ser vista, de preferência, após o filme.
Imagens e créditos no IMDB.
Alien o Oitavo Passageiro ● Alien o Oitavo Passageiro. Alien (USA, 1979). Dirigido por Ridley Scott. Escrito por Dan O'Bannon, Ronald Shusett, Dan O'Bannon. Com Tom Skerritt, Sigourney Weaver, Veronica Cartwright, Harry Dean Stanton, John Hurt, Ian Holm, Yaphet Kotto, Bolaji Badejo, Helen Horton. ● Nota: 5/5. Categoria: movies. Publicado em 2011-12-04. Revisto em 2015. Texto escrito por Wanderley Caloni.


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