Altered Carbon: Piloto

Esta é uma série que lida com algumas questões já abordadas em trabalhos clássicos, como Blade Runner, Ghost in the Shell, etc. E por isso mesmo faz questão de homenageá-las em seu design. Dessa forma, é curioso ver como a megalópole é retratada como um misto entre esses dois trabalhos citados.

Mas não se trata de uma cópia de nenhum deles. Antes disso é uma revisita a uma distopia como aquelas, que une elementos em comum para fazer uma série ligeiramente bem humorada em seu tom irônico.

A história gira em torno da figura messiânica e ao mesmo tempo comum de Takeshi Kovacs. Ele é o último de uma ordem de assassinos que possui uma regra de conduta milenar e estava envolvido em uma guerra contra poderosos dois séculos e meio atrás. Até que ele foi morto.

O que em Altered Carbon não significa o fim. Existe uma tecnologia que permite utilizar novos corpos. Uma espécie de disco mantém informações das pessoas logo abaixo do cérebro, quase como um backup. Porém, essa tecnologia está restrita apenas a um seleto grupo de milionários, pelo preço proibitivo. E Takeshi, apesar de não ser um deles, se aproveita de um, que o tenta contratar para investigar o próprio assassinato.

Takeshi não é um idiota, como em 80% das séries por aí. Sua forma de constatar o que está acontecendo no ambiente é rápida e calculista. Ele tem o poder de observar mais detalhes que os outros, o que lhe permite absorver conhecimento apenas observando. A interpretação de Joel Kinnaman Esquadrão Suicida de grandalhão com tons sarcásticos funciona e é simpática, mas pode tornar a série um pouco insossa. O mesmo pode-se dizer do seu futuro par-romântico ou o que o valha, a pequena e pentelha Kristin Ortega, que xinga em castelhano (para entrar no rol de cotas) na figura de Martha Higareda.

Mas voltando ao personagem Takeshi, que é, se pode-se dizer assim, a alma do projeto enquanto observamos aquele mundo: ao mesmo tempo que ele foi um oriental, com uma irmã orienta (sua primeira versão de corpo, isso indica) o seu novo corpo é de um brutamontes, que ocidentaliza seu personagem da mesma forma que a refilmagem de Ghost in the Shell. Isso se torna uma combinação interessante de músculos e cérebro super potente que pode render uma série investigativa com um pouco de ação e drama existencial.

Tudo o que um público mais antenado com as últimas tendências filosóficas e científicas precisa. Dessa vez à Netflix quer agradar o nerd mais seleto de plantão, e esteticamente e ideologicamente consegue.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2018-03-04. Altered Carbon: Piloto. imdb