Alvin e os Esquilos: Na Estrada

Como sempre uma boa ideia desperdiçada, a série dos esquilos cantores vai de mal a pior, restando quase apenas seus protagonistas encantadores e coreografias vazias, o que não basta para tornar um filme bom. Consegue no máximo defesas do tipo “mas eles são tão fofinhos” e “as cenas deles cantando são tão boas”.

O fato é que Alvin e os Esquilos: Na Estrada repete todos os clichês anteriores em uma versão irregular. Temos o velho medo que os esquilos sejam abandonados pelo seu pai adotivo, o receio de um novo relacionamento (na figura do seu filho folgado que teve uma infância com pai ausente) e até um vilão que brota do nada, um ex-fã que vira hater porque sua ex achava sua fixação pela banda de esquilos infantil demais (não dá para culpá-la, né). Até a recorrente piada das “esquiletes” serem agora mais famosas que os próprios esquilos (e estarem ocupadas com suas vidas e precisarem no último momento voltar e salvar o dia). Tudo está lá, reciclado da pior maneira possível.

Nada faz sentido no filme. O vilão é ridículo além do limite, causando embaraço em quase cada cena em que aparece (onde o ápice é uma briga de bar que vira um duelo estilo faroeste que por sua vez vira uma luta que no final acaba virando sei-lá-mais-o-que). O conflito dos esquilos com seu possível futuro-meio-irmão é artificial logo no começo, e durante o filme se torna inexistente (só esqueceram de avisá-los), sem contar que a reviravolta envolvendo um anel de noivado é desonesto com o espectador, já que deixa a entender com todas as palavras o que deve acontecer para no final desfazer as expectativas que o próprio filme confirmou. (Chega uma altura na história que fica difícil apontar o que não é desonesto.)

Por fim, é triste constatar que, apesar de tantas falhas, os esquilos continuam sendo uma ótima ideia. Desperdiçada em histórias ridículas, mas ainda o que mantém o projeto “Alvin e a Próxima Aventura de Sempre”.

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2016-01-10 imdb