História de Horror Americana - Coven

Já havia falado que American Horror Story consegue impressionar pelos seus quesitos técnicos, a criação de seus personagens e seu aspecto gore que consegue preencher tudo que conhecemos de terror Hoolywoodiano (incluindo o subgênero trash). Porém, uma coisa que a série definitivamente não consegue é criar e consolidar histórias que sejam mais do que um passatempo conhecido como novela. Não há profundidade dramática em AHS, apenas a profundidade de seus objetos cortantes na carne humana.

É por isso que essa terceira temporada, ao focar na vida das bruxas, seus clãs, sua história e a escolha de sua próxima líder, não consegue nunca sair do lugar-comum. Há acontecimentos interessantes e bem explorados, mas nenhum deles deixa de ser previsível ou apenas secundário. Seus personagens não crescem, apenas interagem de maneiras diferentes, muitas vezes sem motivo algum. Há falhas de personalidade, ou personagens sem personalidade. Mesmo Jessica Lange e Evan Peters, acostumados a tirar leite de pedra de suas personas, aqui ficam extremamente presos em personagens engessados.

Mesmo assim, a série mais uma vez realiza meshups interessantes, como misturar Frankestein com Cemitério Maldito, o tipo de coisa que me faz perdoar todas as falhas na direção e essas lentes distorcidas com câmeras inclinadas. Algumas são necessárias, porém. Note como em Asylum a inversão de ângulo era algo que tornava o clima daquele lugar distorcido, como se moral do hospício comandado por uma freira e um Monsenhor fosse também distorcida. No caso das bruxas, olhe como as lentes olho-de-peixe (que deixam o canto distorcido, mas que conseguem incluir todo o recinto em campo) nos leva a pensar como as bruxas conseguem ver tudo ao mesmo tempo. Seus poderes vão além do imaginável. E até colocando bruxas, hierarquias e Vodoo AHS

Porém, por mais que Kathy Bates personifique a “boa e velha” maldade da época da escravidão, ela se transforma rapidamente em mais um passatempo banal, apenas comentando perifericamente sobre o racismo atual, mas sem maiores pretensões. A própria pretensão de chocar e assustar do seriado se perde na leveza de suas bruxarias.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2015-11-28 imdb