Amor Impossível

A ideia por trás do romance de Paul Torday poderia se sair muito bem como um livro e até, com uma adaptação adequada, um filme. Porém, a tentativa frustrada do diretor Lasse Hallström (Gilbert Grape - Aprendiz de Um Sonhador) e do roteirista Simon Beaufoy (Quem Quer Ser Um Milionário?) esbarra na injustificada tendência em transformar um drama em uma comédia romântica engraçadinha. Aliás, a tentativa de fazer humor com o uso do primeiro-ministro e sua assessora, se funcionam no início, depois se tornam repetitivos e apelativos para dar ênfase ao lado engraçado da narrativa que inexiste na história principal.

Estamos acompanhando aqui a história de Dr. Alfred Jones (Ewan McGregor) e Harriet (Emily Blunt), que se unem em circunstâncias inusitadas para fazer com que um projeto de pesca de salmões na desértica região do Yêmen tenha sucesso a partir de uma ideia do intuitivo/lunático/milionário Xeique Muhammed (mas que nome criativo!).

A partir das dificuldades de ambos em conciliar seus interesses e de seus problemas em ambos os relacionamentos (Harriet namorou por três semanas um fuzileiro que parte para a guerra, enquanto Dr. Jones possui um relacionamento infantil com sua pragmática esposa), o roteiro de Beaufoy caminha irregularmente sobre a paisagem pedregosa do país desértico sem muita certeza de qual história pretende contar. É notória essa incerteza ao notarmos que em muitas cenas tanto o riso quanto o choro podem ocorrer, mas nenhum deles com muita convicção de que é isso que o diretor espera de sua cena.

Para piorar, a direção de Hallström insiste em transformar o filme em uma fábula de sessão da tarde, colocando embaraçosos planos-detalhes de salmões pulando pelo rio ou mesmo espiando os humanos acima da água.

Com uma proposta inicial desajeitada, um desenvolvimento embaraçoso e uma conclusão extremamente previsível e galhofa, o que nos resta é admirar a paisagem inócua de um projeto tão mirabolante quanto a adaptação do romance de Paul Torday.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2012-07-02 imdb