Amor Sem Fim

Filme que revisita os clichês estilo Diário de uma Paixão sob a ótica contemporânea. Foca principalmente no jogo de forças entre pai e filha, mas se estende desnecessariamente ao final repetindo a mesma dinâmica já vista durante o filme.

Esse resumo não significa que o filme seja desnecessariamente longo ou descartável. Há algo de interessante nessa nova dinâmica que gira basicamente em torno dos novos direitos que os adolescentes vem ganhando a cada geração, podendo tomar decisões arriscadas sobre sua vida antes mesmo de sair debaixo das asas dos pais, sem que estes tenham muito poder de barganha. A personalidade da jovem e em luto pelo seu irmão morto quatro anos atrás Jade (Gabriella Wilde) nem é tão forte assim quanto a do seu enérgico e insistente pai Hugh (Bruce Greenwood, do novo Star Trek), mas por mais que ele tente de todas as formas evitar seu relacionamento com o desconhecido David (Alex Pettyfer) ela, sua mãe e seu irmão (vivo) conseguem convencer que toda a família busca ansiosamente por um acontecimento novo e positivo após a morte de um de seus filhos, e por mais piegas que seja esse relacionamento “menino pobre com menina rica” – e por mais que a fotografia límpida e colorida nos instigue a pensar sobre isso – ele se torna tão puro no processo que é como se tivéssemos de fato passado a conhecer o casal a cada nova cena romântica e piegas, o que torna os argumentos de Hugh ainda válidos embora pálidos.

Um filme inferior? Um romance já contado inúmeras vezes? Quem liga? Cinema é sobre recontar milhares de vezes o mesma drama humano de viver sob diferentes óticas. O clichê e o piegas precisam de um espaço-tempo para se manifestarem, e o fato do Diário de uma Paixão fazer isso é um mérito em si mesmo por nos fazer repensar a mesma batida história sob a cor da nossa nova era.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2014-06-13 imdb