Amores Inversos

2017/03/21

Hoje Kristen Wiig é a queridinha das comédias femininas. Em 2013 ela ainda estava galgando sua trajetória da TV para o Cinema, onde atingiria seu clímax na combinação explosiva de roteiro, direção e atuação em Missão Madrinha de Casamento. Nesse drama intimista independente dirigido por Liza Johnson e roteirizado com toques de exagero por Mark Poirier e Alice Munro, ela e Guy Pearce vivem personagens caricatos e só são salvos graças às atuações convincentes de ambos (Kristen mais).

A história é sobre Johnson Parry (Wiig), uma mulher tímida que cuidava de uma senhora desde jovem e que agora se vê sem ninguém para cuidar. Ela é contratada por Nick Nolte, que tenta controlar as pessoas que ama através de suas posses, para tomar conta de sua filha adolescente. Ela e a amiga pregam uma peça em Johnson e logo a garota se vê apaixonada pelo pai da moça, o alcóolatra drogado Ken (Guy Pearce) que tem planos de reabrir um hotel caindo aos pedaços e assim ficar melhor aos olhos do sogro, que insiste em odiá-lo por ter sido parte principal em um acidente que matou sua filha.

Apesar de todos esses clichês de novela e as situações mais ou menos embaraçosas da dupla de roteiristas (como arrumar um interesse amoroso para Nick Nolte porque sim), a diretora Liza Johnson estabelece uma lógica visual que encara seus personagens como pessoas reais. E essas pessoas estão paradas no tempo, e ali ficarão. São vítimas de seus próprios pensamentos mesquinhos e diminuidores. É impossível olhar para o personagem de Guy Pearce e achar que de lá surgirá algo que presta. O tom que o filme traz não é de ódio por aquelas pessoas, mas tédio; um tédio que se constrói mais pelo roteiro do que pelos atores, que estão uniformemente competentes.

E é essa situação que permite que Kristen Wiig mais uma vez brilhe com sua competência ímpar em estabelecer seus personagens, de uma maneira quase mecânica, mas eficiente. Como Dustin Hoffmann. Ela vira seus olhos, usa seu ritmo facial para estabelecer conexões. Dá um sorriso extremamente significativo ao ler uma carta que acredita ser de seu amado e futuro marido. E ela está sempre em movimento. Do começo ao fim. Até nos créditos finais, ela está arrumando e limpando. Ela é a única alma no filme que parece ter uma mensagem positiva sobre a humanidade.

Mas, mesmo assim, é difícil de entender qual a moral da história desses roteiristas. O que eles querem exatamente dizer com essa heroína? Se formos analisar friamente, ela também é fruto do destino. Sua função no universo é fazer as coisas funcionarem. Em uma história facilmente manipulativa, ainda assim acreditamos em algo espontâneo nos desejos e decisões de Johnson.

★★★☆☆ Hateship Loveship. USA, 2013. Direction: Liza Johnson. Script: Mark Poirier. Alice Munro. Cast: Kristen Wiig (Johanna Parry). Guy Pearce (Ken). Hailee Steinfeld (Sabitha). Jennifer Jason Leigh (Chloe). Sami Gayle (Edith). Christine Lahti (Eileen). Nick Nolte (Mr. McCauley). Lauren Swinney (Mrs. Willets). Jeff Pope (Oxygen Delivery Man). Edition: Michael Taylor. Cinematography: Kasper Tuxen. Soundtrack: Dickon Hinchliffe. Runtime: 104. Ratio: 2.35 : 1. Gender: Drama. Release: 28 August 2014. Category: movies Tags: netflix

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