Aqui é o Meu Lugar

Sean Penn é um excelente ator, diga-se de passagem. Mas nesse trabalho em que ele coloca uma peruca (que insiste em assoprar) e fala como se fosse desmaiar a qualquer momento é daqueles típicos casos de vergonha alheia.

Não há nada que se defenda no filme do diretor italiano Paolo Sorrentino exceto seus detalhes técnicos. A fotografia é limpa e exuberante, exibindo tomadas grandiosas (como a do estádio construído atrás de um simpático e pacato bairro) e horizontes quase infinitos. Aliás, esse é um road movie, e sobre um cantor pop. Logo, a trilha sonora é obrigada a ser no mínimo agradável, e isso ela consegue.

O que o filme não consegue é estipular os motivos do seu protagonista em realizar essa viagem de mudanças. Se não é possível definir quem é Cheyenne (Penn), quem dirá o que ele deseja ser. Pior ainda: aparentemente os roteiristas acreditam que a relação entre as roupas desgastadas de roqueiro, sua voz rouca e seu penteado despenteado sejam indícios que algo está errado em sua vida e que merece uma “transformação” que envolverá necessariamente uma mudança radical do seu visual. O que é obviamente preconceituoso, bobo e inócuo.

Iniciando com um plot piorado do excelente Flores Partidas e continuando como uma versão trash de Transamérica, Aqui é o Meu Lugar se estabelece de vez na categoria dos filmes “nonsense” ao emplacar numa investigação e busca de Cheyenne pelo torturador de seu recém-falecido pai.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2013-10-20 imdb