As Crônicas de Nárnia A Viagem do Peregrino da Alvorada

Wanderley Caloni, October 21, 2010

Lembro de ter visto a primeira Crônica de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. Alguma coisa me dizia para não confiar muito em títulos muito longos, e… dito e feito. Não gostei da frágil história em uma narrativa que supõe-se introduzir personagens importante para as próximas tramas, mas que simplesmente joga seus elementos iniciais em um tabuleiro de xadrez e trata apenas de arrastar preguiçosamente essas peças nada originais, tiradas do fundo do baú da crença cristã com cobertura de mitologia grega.

Nessa nova aventura temos os mesmos artifícios, mas com um pouco mais de ação e uma direção de arte afiada, que consegue ser consistente do começo ao fim, não chama atenção para si com seus efeitos e ao mesmo tempo é criativa, apelando até mesmo para nossa curiosidade visual. Note, por exemplo, como a serpente marinha é feita. Ela é uma criação dos medos de Edmundo em uma ilha enfeitiçada. Quando cortam um pedaço dela, esse pedaço se desfaz como uma fumaça verde, a mesma usada em todas as cenas com influências malignas. Só que a forma usada para ela se desfazer é tão natural, que é quase como se a serpente fosse feita de algum outro material sólido que se transforma em gás e que se transforma em imaginação, paulatinamente, sem pressa e sem esfregar isso nos olhos do espectador.

A fotografia, ao mesmo tempo, nos remete a um filme que não é um épico tampouco é realista: fica no meio do caminho entre sonho e aventura fantasiosa, sendo que seu maior mérito é não deixar claro do que se trata. Diferente do que acontece em Os Piratas do Caribe, aqui boa parte da realidade montada pelos figurinos de pirata deve ser feito pela nossa própria imaginação, pois estamos em um cenário onde tudo é muito plástico, quase irreal, nos levando a um exercício de imaginação sempre ativa.

E se a história é facilmente esquecível ao sair da sala, pelo menos ela não é incoerente em seus pontos principais. A única ressalva, assim como no primeiro filme, é que os motivos da narrativa por si só não justificam todos os riscos e desventuras que aquelas crianças devem passar sempre que precisam ajudar Nárnia, dessa vez a resgatar as sete espadas (sagradas, claro) que servirão sei-lá-bem-pra-quê.

De qualquer forma, essa nova crônica se revela como um passatempo atraente do ponto de vista estético, podendo agradar uma criança paciente ou um adulto contemplativo. Na dúvida, leve pipoca.

Imagens e créditos no IMDB.
As Crônicas de Nárnia A Viagem do Peregrino da Alvorada ● As Crônicas de Nárnia A Viagem do Peregrino da Alvorada. The Chronicles of Narnia: The Voyage of the Dawn Treader (USA, 2010). Dirigido por Michael Apted. Escrito por Christopher Markus, Stephen McFeely, Michael Petroni, C.S. Lewis. Com Georgie Henley, Skandar Keynes, Ben Barnes, Will Poulter, Gary Sweet, Terry Norris, Bruce Spence, Bille Brown, Laura Brent. ● Nota: 3/5. Categoria: movies. Publicado em 2010-10-21. Texto escrito por Wanderley Caloni.


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