As Horas

Wanderley Caloni, March 24, 2019

Um filme é depressivo e te deixa depressivo. Ele foi bem sucedido como um filme? Não para mim. Eu não li nenhum dos livros e não gosto muito desse filme. Dizem que foi uma excelente adaptação. Bom, ele conta várias histórias de gente depressiva em épocas e lugares diferentes e em alguns momentos as histórias se juntam. Mas seus personagens e suas histórias são tão depressivos que quem se importa?

As Horas é uma adaptação de um livro (de Michael Cunningham) que usa um outro livro escrito por Virginia Woolf, uma escritora conhecida pela incapacidade de ser feliz. Seus fãs dirão que é menos sobre depressão e mais sobre a insustentabilidade da felicidade, o que para mim dá no mesmo. Muitos dos seus personagens estão à beira de um colapso e a morte parece um caminho viável. Não só viável, mas o melhor caminho. E do ponto de vista de um espectador que até agora só viu o pior dessas pessoas, vê-las morrer seria um alívio.

Mas não é assim que o filme/livro trata o tema. Ele entende a morte necessária para valorizamos nossa própria vida, mas do ponto de vista de um depressivo a vida dos outros é uma maravilha, e não é bem assim que a banda toca. Saber viver é uma conquista de cada um, e se alguém incapaz conclui que sua vida apenas continua, encarando As Horas que vêm à frente, apenas pelas pessoas em volta que a querem bem, acho que temos um problema.

Mas esse filme tem algo deveras curioso: uma Nicole Kidman completamente irreconhecível. O setor de maquiagem está de parabéns. Vemos também uma Juliane Moore envelhecida irretocável. As mulheres desse filme recebem um tratamento que as naturaliza em cada época, cada situação, cada momento.

E por falar em mulheres, há muitas nesse filme. Demais. Atingiu e superou a cota, o que quer dizer críticas mais que positivas da crítica e alguns prêmios. Mas não sejamos hipócritas: apesar de um elenco de peso, o filme não se sustenta: se arrasta. A única coisa que nos permite continuar assistindo são Meryl Streep, Julianne Moore e Nicole Kidman. Esse é o mérito delas em um filme mais falado que sentido. Há texto demais, psicologia demais, filosofia barata demais.

Mas é um entretenimento. As transições entre as épocas são elegantes. Principalmente no começo. Depois fica banal, banal como a vida dessas pessoas. Mas é divertido assistir a vida banal de pessoas em um filme. Especialmente se você sabe que alguém vai morrer no final. Dica: não vai ser uma mulher. Óbvio.

Imagens e créditos no IMDB.
As Horas ● The Hours. EUA, Reino Unido, 2002. Dirigido por Stephen Daldry, escrito por David Hare baseado em livro de Michael Cunningham. Com Meryl Streep, Nicole Kidman, Julianne Moore. ● Nota: 3/5. Categoria: movies. Publicado em 2019-03-24. Texto escrito por Wanderley Caloni.


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