Ascent

Aviso: este filme é na verdade um foto-film experimental. Ou seja, ele é constituído de uma série de fotografias, e tem uma narração em off. Alguns filmes na história do Cinema se saíram fabulosamente bem com esse estilo (como A Pista/La Jetée, curta que inspirou o longa de sci-fi Os 12 Macacos, de Terry Giliam).

A história é uma espécie de recapitulação de Hiroshima Meu Amor (até resgatando a fala original mais famosa do filme de Alain Resnais) com o foco no Monte Fuji, mas igualmente com dois narradores, um homem e uma mulher. O homem fala em japonês e tem um nome japonês. A mulher, que fala em inglês, resgata suas memórias deste homem através de uma série de fotos. Ele morreu, e ela lamenta. Mas agora, através das fotos, parece começar a entender o que ele quis dizer quando vivo. A montanha, aparentemente, tem algo a dizer também.

Com uma coleção invejável de fotos (e quadros) tirados no decorrer de um século, Ascend percorre a história “recente” do Japão, indo e vindo no tempo ocasionalmente, e demonstrando como, do ponto de vista da montanha, é o homem que realiza um filme diante dela, e apesar de ser um vulcão em atividade, é o homem o ser mais tempestuoso da “relação”.

Através de rimas visuais, o que inclui o uso poético de sombras da montanha e miniaturas sugestivas, o filme parece pouca coisa, e para o espectador médio será, mesmo. Porém, dê um tempo para observar a passagem do tempo em si, e verá que se trata de um filme que observa o homem, o oriental, o japonês, tendo como ponto de vista a sua montanha mais icônica.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2016-10-25. Ascent. Ascent (Japan, 2016). Dirigido por Fiona Tan. Escrito por Fiona Tan. Com Hiroki Hasegawa (Hiroshi). imdb