Astrágalo

Astrágalo é uma experiência desgastante, mesmo tendo pouco mais de uma hora e meia. Não é possível que um filme com tantas cenas belíssimas conseguisse se tornar enfadonho em dois ou três momentos. Talvez seja isso o que sua protagonista estivesse sentindo na hora.

Porque este é um filme baseado em uma autobiografia, de Albertine Sarrazin, uma assassina que durante sua fuga foi salva por um outro bandido. Durante o episódio forte, ela quebra um osso do pé. Passa a mancar pelo resto da vida, mas com estilo: estamos na França, e a vida é em preto e branco.

Protagonizado por Leïla Bekhti e sua beleza exótica, além da participação charmosa de Reda Kateb, os personagens são mais importantes que a história. Quase não há história, mas sempre haverá um diálogo naturalista entre os diferentes personagens que habitam este mundo esteticamente impecável, com perfis muito próximos ou pessoas vistas como objetos de cena.

Porém, ser belíssimo não dá ao filme muito mérito. Até Dolls (um drama japonês) tinha lá sua trama não-linear. Aqui vivemos através dos olhos de sua autora, e a vida não é muito excitante. Não mais que a vida de uma foragida, que decide vender o corpo para conseguir seu próprio dinheiro, mas que nunca esquecerá de seu salvador.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2016-03-07. Astrágalo. L'astragale (France, 2015). Dirigido por Brigitte Sy. Escrito por Serge Le Péron, Albertine Sarrazin, Brigitte Sy. Com Leïla Bekhti, Reda Kateb, Esther Garrel, Jocelyne Desverchère, India Hair, Jean-Charles Dumay, Jean-Benoît Ugeux, Delphine Chuillot, Zimsky. imdb