Atypical

2017/08/21

Mais do mesmo com o algoritmo já batido da Netflix. Depois do “gênero” indie invadir Hollywood com suas famílias desajustadas, agora é a vez dos espertos computadores da gigante de streaming entregar uma família desajustada por série. Esta tem no pacote uma mulher traidora e um autista.

Está havendo há um tempo um movimento de inclusão dos autistas, depois que perceberam que eles não são simples retardados (nossa, como a humanidade é genial). Na verdade, eles são apenas mais uma vertente singular de nossa espécie, com suas manias e trejeitos apenas atípicos. Quem entende que somos todos loucos releva o autismo como apenas mais uma variante. Quem acha que existe ordem no mundo prefere se remoer de culpa por existirem pessoas que não podem ter uma vida “normal”.

O garoto desta série está longe de ser o exemplo extremo de autismo, e apenas parece estar apenas um pouco além da Síndrome de Asperger. Estudando na Wikipédia vi que Asperger é um dos três espectros diferentes do funcionamento do cérebro.

Mas o autismo leve do rapaz é o suficiente para a certinha, doentia e pudica família típica norte-americana transformar tudo em um drama sem fim. Ele foi o responsável pelo pai abandonar a família (depois ele voltou, e é gente boa agora) e basicamente por todas as crises pelas quais a família passa. A origem e o efeito de tudo isso (ao mesmo tempo) parece ser sua mãe superprotetora.

Esta é uma série leve, quase uma telenovela, sem exageros, que leva tudo em banho maria e que quer problematizar todo e qualquer acontecimento. Ela demonstra que um autista de fato não é retardado, mas como todo o resto da sociedade consegue ser. E em uma cena particularmente hilária, em uma reunião de um grupo politicamente correto, como os pais podem se tornar mais retardados que seus filhos fora do espectro normal.

E por falar em politicamente correto, o que foi feito com a palavra normal? Agora há nomes para todos os diferentes tipos de normal. Alguém que representa o normal na sexualidade agora é cis heterossexual. Alguém que representa o normal no funcionamento cerebral está no que eles chamam de espectro… bom, quem liga. Os autistas com certeza não.

★★★☆☆ Atypical. USA, 2017. Direction: Michael Patrick Jann. Seth Gordon. Script: Jen Regan. Ava Tramer. Robia Rashid. Dennis Saldua. Michael Oppenhuizen. Cast: Jennifer Jason Leigh (Elsa Gardner / ...). Brigette Lundy-Paine (Casey Gardner / ...). Amy Okuda (Julia Sasaki). Keir Gilchrist (Sam / ...). Michael Rapaport (Doug Gardner). Nik Dodani (Zahid). Graham Rogers (Evan). Jenna Boyd (Paige). Raúl Castillo (Nick). Edition: Sandra Montiel. David Codron. Cinematography: Joe Kessler. Soundtrack: Dan Romer. Runtime: 30. Gender: Comedy. Category: series Tags: netflix series

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