Black Mirror: USS Calister

Jan 12, 2018

Imagens

A quarta temporada de Black Mirror começa razoavelmente bem, mas dá sinais de cansaço. A ideia de brincar com Star Trek, vinda de autores obviamente fascinados por séries como essa e Além da Imaginação (há uma brincadeira igualmente inventiva no último episódio dessa temporada) parece ter dado a origem um terror estelar de simulação que irá nos mostrar que a série começa a abusar dos conceitos de simulação (jogos ou não) e em alguns momentos as ideias do papel (como ideia/argumento) não parece tão bem conduzidas pela série.

Tome esta primeira história. Ela se passa basicamente explorando a mente doentia de um desenvolvedor de software brilhante mas acuado socialmente. Não ganhando o respeito de quase nenhum dos seus funcionários mesmo tendo criado o jogo de simulação mais imersivo de todos os tempos, ele vai capturando suas versões digitais e os mantendo em uma versão do jogo onde ele é o capitão de uma nave interestelar baseado em sua série favorita e onde ninguém pode desobedecê-lo. Ele é o Capitão Kirk distorcido dessa realidade, e todos os outros coadjuvantes em uma versão subversiva de Star Trek onde o maior castigo é ninguém conseguir morrer.

O surgimento de um interesse amoroso é o que faz a história se mover, mas mais para o lado entretenimento e comédia do que drama. As tiradas e os diálogos são eficientes e engraçados, mas isso tira a dramaticidade da narrativa, o que nem sempre é uma coisa boa. Com uma conclusão boba que utiliza ganchos completamente alheios à realidade (onde uma funcionária invade a casa de seu chefe porque foi chantageada com fotos de… biquini?), as regras do jogo dessa simulação também não são claras, e mudam à conveniência do roteiro. Divertinho, mas esquecível.

Wanderley Caloni, 2018-01-12. Black Mirror: USS Calister. IMDB.