Bling Ring A Gangue de Hollywood

O mundo é materialista e não há nada de errado nisso. Somos feitos de matéria e a matéria circula por nossos poros. Não há nada mais que matéria, ainda que esforços descomunais da mente tentem imaginar algo mágico saindo por detrás de nossas cabeças. Entre esses esforços, a tal da “fama”.

Bling Ring, de Sofia Coppola, além de continuar a série de temas sobre a vida da própria diretora (Encontros e Desencontros, Um Lugar Qualquer), tão habituada ao mundo Hollywoodiano, consegue construir a fascinação por status em torno de um grupo de jovens que, acostumados a uma vida de luxo, mantém uma rotina de invadir casas de celebridades para possuir parte de seus bens como forma de viver suas vidas.

O caso é que o filme é apenas sobre isso, o que faz com que a narrativa vá crescendo em torno de algo cada vez mais vazio de significado. Podemos dizer que, ao construir esses personagens em torno de bolsas, sapatos, joias, dinheiro, drogas e carros, o filme consiga também ir desconstruindo essas pessoas (a história é baseada em eventos que realmente ocorreram) e seu modo de viver até não sobrar absolutamente nada. Não a conhecemos, apenas o que possuem. Até suas crenças, como a da família da jovem Nicky (Emma Watson), se baseiam em um livro que foi sucesso recente de vendas e popularidade (mais uma vez, status). Seus corpos (magérrimos) e ideias diferem apenas de um detalhe ou outro.

Se fosse resumir em uma frase, um filme sobre a matéria desconstruindo nossa alma. Interprete alma como lhe aprouver.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2014-01-02 imdb