Blue Jasmine

Os créditos iniciais mais uma vez aparecem e com eles mais um filme de Woody Allen: neurose, traição, problemas financeiros. Não há dessa vez a questão existencialista (quando irei morrer?) e essa ausência é por si só uma novidade. A personagem de Cate Blanchett (a Jasmine do título) está mais preocupada em se recompor de sua vida passada como uma madame sem preocupações, o que ironicamente a faz ter constantemente ataques de pânico. Ela está em busca de um novo marido, fortuna e mimos.

Para isso recorre à sua irmã pobre, a mesma irmã cujo estilo de vida desprezava quando rica. Quando o filme demonstra esse estilo, tirando fotos na rua, é engraçado e funciona. Mas são poucos os momentos. Allen está mais interessado em dividir nossa atenção entre o presente e futuro da personagem, em cenas que trocam o tempo sem avisar — o que é interessante — mas cuja ligação entre elas pode ser sutil demais ou até inexistente, o que faz virar firula de estilo sem muita função na narrativa.

Por fim, Cate Blanchett está um estouro de nervosismo e atuação. Me fez ficar tenso durante todo o filme. Seus ataques parecem até demais para uma comédia. Talvez seja um drama, de qualquer forma.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2014-01-07 imdb