Bob Esponja: Um Herói Fora d'Água

2015/02/16

Bob Esponja representa a subversão do desenho animado como forma de contar uma história. É um anti-Disney falando diretamente para as crianças de todas as idades mentais possíveis, tenha você cinco ou cinquenta anos. É uma viagem de LSD pelo submundo das piadas descontextualizadas, colocando para escanteio até trabalhos como Uma Família da Pesada (pois até eles têm um contexto por fingir estar em um sitcom) e ao mesmo tempo homenageando o clássico Pica-Pau (Ben Hardaway/Walter Lantz/Alex Lovy, 1940) em uma versão não-violenta. Pior do que Homer em Os Simpsons: O Filme (“Eu não posso acreditar que estamos pagando para ver algo que passa na TV de graça!”), realiza um trailer que promete um filme 3D e entrega 20% dele. Bob Esponja: Um Herói Fora d’Água mereceria aplausos apenas por enganar seus espectadores, mas eu digo que merece também por honrar os roteiros inspiradíssimos que passam na Nickelodeon e não se deixar levar pelo próprio marketing, jamais criando uma história abaixo dos padrões de absurdo vistos na telinha.

E que melhor absurdo do que assistir a pseudo-referências porcamente inseridas em viagens no tempo, golfinhos falantes, apocalipse com roupas de couro e todas as paródias possíveis e que ninguém poderia imaginar a respeito da onda de filmes de super-heróis jamais imaginada?

Construindo sua trama a partir de um livro mágico onde tudo que se escreve nele acontece – mas só deixar o público entender isso muito tempo depois de mastigar sua longuíssima introdução –, a história gira em torno de um pirata que altera a ordem das coisas na conhecida Fenda do Biquíni, onde Bob Esponja Calça Quadrada cozinha hambúrgueres de siri para os sempre famintos moradores da cidade. Roubando a igualmente conhecida fórmula que é responsável pelo sucesso dessa iguaria, o pirata obriga os moradores fiéis – menos os secundários – a arregaçar as mangas e sair para a superfície. Só que até isso acontecer muita água vai rolar em passagens que até funcionam organicamente, mas que contém surpresas muito melhores em suas mini-tramas envolvendo as situações listadas no parágrafo anterior.

No entanto, voltemos para a terra firme. Sabendo que mostrar Bob Esponja e seus amigos em um filme inteiro no formato 3D não seria uma solução viável, pois isso estragaria a imagem que temos dos personagens e não criaria os mecanismos que já conhecemos debaixo d’água e que torna a história sempre dinâmica e interessante. Dessa forma, quando isso acontece, ela é feita unicamente durante as sequências de ação, com cortes desenfreados, muita movimentação e troca de foco que garante que essa breve passagem não irá manchar nossa imagem bucólida da vida submarina em um 2D muito bem aceito por até o momento dez temporadas.

Com uma conclusão alongada um pouco demais, o segundo filme com o herói esponjoso certamente merecerá revisitas, pois creio que metade das piadas pelo menos conseguirão ser redescobertas (como um tiranossauro com cara de polvo tentando agarrar um hambúrguer de siri). E também, é claro, quando nossa idade mental envelhecer um pouco e as velhas piadas contiverem novas conotações.

★★★★☆ The SpongeBob Movie: Sponge Out of Water. USA, 2015. Direction: Paul Tibbitt. Script: Glenn Berger. Jonathan Aibel. Stephen Hillenburg. Paul Tibbitt. Stephen Hillenburg. Cast: Antonio Banderas. Eric Bauza. Tim Conway. Eddie Deezen. Rob Paulsen. Kevin Michael Richardson. April Stewart. Cree Summer. Billy West. Edition: David Ian Salter. Cinematography: Phil Meheux. Soundtrack: Steve Belfer. John Debney. Runtime: 92. Ratio: 1.85 : 1. Gender: Animation. Category: movies

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