Bolt Supercão

O grande trunfo de “Bolt” em sua narrativa é primeiro nos brindar com cenas megalomaníacas de ação (ecos de Os Incríveis) e nos fazer acreditar que Bolt — que faz rima não-ocasional com “bold”, ou seja, “corajoso, valente” — de fato possui todos esses poderes. Mesmo assistindo pela segunda vez o truque permanece pela eficiência dos cortes e enquadramentos, que conseguem inclusive nos enganar a ponto de não pensarmos como eles podem cruzar uma cidade inteira se tudo termina dentro de um estúdio.

É uma grande ajuda também a qualidade técnica da animação, que usando movimentos precisos tanto nas cenas de ação quanto nas mais paradas, consegue combinar a limpidez da fotografia com a qualidade do seu ritmo. A trilha sonora sempre empolgante e música-temas inspiradas tornam a experiência ainda mais redonda.

Por fim, a introdução frenética dá lugar a um cãozinho abandonado que terá que se virar com a realidade para cruzar o país inteiro em busca de “sua humana”, o que cria um road-movie instantâneo e forçado. Uma falha inocente, que junto com outras vão diminuindo a experiência, que não parece ter estrutura o suficiente para aguentar tanta história e personagens, ainda mais se lembrarmos que alguns deles se inspiram claramente em sucessos anteriores (Os Sem-Floresta) e da existência de um “vilão” extremamente limitado de tão bobo.

O que “Bolt” procura todo o tempo e na maioria das vezes consegue é comparar nossa imaginação com a dura realidade, quase que brincando com a própria experiência cinematográfica em que toda peripécia arriscada sempre dá certo. Tenta também emocionar em vários momentos, mas acaba o fazendo de fato pelo arco que a história proporciona. Um lindo exemplo de como inspirar crianças (e adultos) sem apelar para a velha farofa melodramática.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2013-12-13 imdb