Boy Meets Girl

São filmes assim que me revelam como um cinéfilo ainda burro. Mesmo assim, tenho a ousadia de gostar de alguns deles, mesmo sem saber muito bem por quê.

Dirigido por Leos Carax na década de 80, do recentemente aclamado Holy Motors, em Boy Meets Girl o tema são as desilusões e os desencontros amorosos. Tudo parece dar errado na vida desses dois jovens, ou, algo muito diferente, nada dá certo. O filme nos mostra suas vidas sem se preocupar em estabelecer ligações ou interpretações. É um filme aberto, desses que espectadores-pipoca sempre odeiam. Até o final, se você não trabalhar com expectativas honestas sobre o que acontece, pode ser ambíguo. Mas pense um pouco: há um realismo sendo trabalhado nesse filme, ainda que onírico. Parte desse trabalho exige que compreendamos como a vida real é tão mais bagunçada, sem sentido e sem roteiro. O prólogo inicial deixa bem claro isso: nascer, crescer, viver um pouco e, finalmente, fim.

Mesmo me rendendo aos significados e dando vazão à estética, não dá para negar que a fotografia em P&B do filme é cativante pela beleza que evoca de momentos em que a misce-en-scene é um quadro em movimento (e não são poucos), ou poderíamos dizer quase sem movimento. Gosto particularmente dos momentos finais, da sombra de homem no garoto quando ele chega em seu quarto e na ligação a partir de uma cabine telefônica com o vidro quebrado. Gosto mais ainda da visão da bela Mireille Perrier em destaque com um consistente Denis Lavant ao fundo, desfocado.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2014-01-23 imdb