Branco Sai, Preto Fica

No começo não pensamos que é um documentário, mas logo vemos que é, tão rápido quanto descobrimos que não é. Não importa quem será o oprimido da vez, dê tempo e motivos suficientes e ele vai ser rebelar. No caso foram os negros, mas isso por que estamos na era do “mimimi”, da indignação por si só. Isso felizmente não deturpa demais a história, sendo que continuamos fascinados por um bom tempo a respeito do evento em uma danceteria na década de 80 que feriu gravemente dois garotos e os desabilitou para a dança, entre eles o resiliente Marquim. Essa vida de dificuldades sem conseguir levar o sonho adiante faz com que eles construam uma bomba que será lançada na capital do país, Brasília, na época (futura) protegida contra os moradores dos bairros e cidades vizinhas. A ficção-científica parece se mesclar com o tom documental em um drama do agora. Esse distanciamento é necessário para olharmos com uma visão mais auto-crítica do que é a realidade. Uma obra de arte com muita criatividade e pouco orçamento digna de pelo menos uma visita.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2015-03-13. Branco Sai, Preto Fica. Branco sai preto fica (Brazil, 2015). Dirigido por Adirley Queirós. Com Marquim do Tropa, Dilmar Durães, Gleide Firmino, Dj Jamaika, Shockito. imdb